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Pressão da inflação fez mundo desenvolvido se sentir como emergente, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que os países mais desenvolvidos passaram a experimentar uma pressão do processo inflacionário e se sentiram “como emergente”.


De acordo com ele, a crise causada pela pandemia fez com que os banqueiros tomassem decisões “erradas” como nos países em desenvolvimento.


Segundo Campos Neto, o mundo desenvolvido talvez não tenha testado o sistema de metas, “mas os países emergentes já testaram muito”. “A gente aqui no Brasil, já testou bastante”, disse durante palestra na Conferência Anual Julius Baer 2023, promovida pelo Julius Baer Group, nesta terça-feira (5).


Ainda de acordo com o presidente do BC, no mundo emergente se erra bastante e os banqueiros ao redor do mundo preferem errar menos, no entanto, os países desenvolvidos começaram a tomar as mesmas decisões. Isso mostrou que “o mundo desenvolvido se sentiu como emergente”.


Campos Neto também apontou que as autoridades monetárias começaram a cometer os mesmos erros do mundo emergente” e que “isso fez com que todas as taxas (de juros) subissem bastante”.


Ainda de acordo com Campos Neto, o mundo “atravessou bem a pandemia”, foram feitos enormes programas, mas que isso tem um custo. “Agora vamos começar a pensar em como pagar esse custo”, e que, no começo da pandemia houve uma entrada coordenada. Mas a saída não está.


“Acho que é importante você perseverar, se não, o processo inflacionário volta. E voltar para o processo desinflacionário o custo para a sociedade é muito maior”, frisou.


Erros na projeção do PIB

Na ocasião, Campos Neto também apontou que o mercado errou no cálculo de projeção para o crescimento da economia, em especial mirando na queda da agricultura.


“Acho que os erros estavam condensados em vários pontos. Depois do agro vir forte no primeiro tri, se esperava uma queda na agricultura e não veio. O consumo de família e indústria mais forte que o esperado”, disse.


Campos Neto ainda reforçou que as reformas, como a trabalhista, marco do saneamento, entre outras, mudaram as perspectivas.


“Mas eu acho que já tem 18 meses de números de crescimento, seja o poder cumulativo de reformas que tem feito nos últimos governos, foram vários, e tem um aspecto positivo e espero que entre de forma mais estrutural nas contas públicas”, apontou


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