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Área na BR-364 é desapropriada por R$ 22,6 mi para construção de nova sede da Seagri e da Expoacre

Fotos Raylanderson Frota/Secom

O Governo do Acre oficializou, nesta segunda-feira, 30, a desapropriação amigável de uma área de 75,5683 hectares localizada na Rodovia BR-364, Km 08, no bairro Cidade do Povo, em Rio Branco (AC). O extrato do termo administrativo foi publicado pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) e prevê investimento de R$ 22,6 milhões na aquisição do imóvel.


A área, declarada de utilidade pública por meio do Decreto nº 11.855, de 20 de março de 2026, será destinada à implantação da nova estrutura da secretaria e também de um espaço definitivo para a realização da Expoacre, a maior feira agropecuária do Estado.


Segundo informações apuradas pelo ac24horas, o episódio de 2025, quando, pela primeira vez em 50 anos, a maior feira de negócios do Acre, a Expoacre, ficou ameaçada de não acontecer por burocracias nunca vistas antes, impostas pela Superintendência da Secretaria do Patrimônio da União no Acre (SPU-AC), foi o principal motivo pelo qual a Seagri decidiu comprar o espaço.


Na época, o então titular da SPU-AC, Tiago Mourão, teria dificultado a parceria do governo federal com o governo do Acre no que diz respeito à cessão do parque, cujas terras pertencem à União e onde a feira é realizada todos os anos. Na ocasião, o gestor rebateu as acusações de que estaria dificultando a realização da Expoacre 2025. Segundo a autarquia, as notícias que circularam na imprensa são “inverídicas e distorcidas” e tentam responsabilizar indevidamente o órgão federal por uma falha de planejamento do Governo do Estado.


Em entrevista ao ac24horas, a secretária de Agricultura, Temyllis Lima, explicou que a desapropriação atende a uma demanda histórica da pasta, que atualmente não possui sede própria.


“Então, de fato, nós estamos desapropriando um espaço para a Expoacre, para a sede da Secretaria de Agricultura. Como todo mundo sabe, a Secretaria de Agricultura não tem um espaço físico próprio. Nós estamos aqui em salas que foram cedidas pela Emater, neste prédio em que estamos atualmente”, afirmou.


A secretária destacou que, além da falta de sede própria, a estrutura atual gera custos elevados para o Estado. “Nós temos dois galpões que alugamos para poder abrigar os nossos equipamentos e maquinários. Então, há um custo para isso”, disse.


Segundo ela, apenas com a realização anual da Expoacre, os gastos públicos chegam à casa de R$ 10 milhões. “Eu te confesso que, por ano, a gente gasta ali de infraestrutura, beirando R$ 10 milhões”, afirmou, citando despesas envolvendo diferentes secretarias.


A gestora da pasta também detalhou os custos mais recentes: “Ano passado, só nós tivemos um custo de R$ 1,8 milhão de manutenção da Expoacre, fora o investimento da Secretaria de Obras, que foi de pouco mais de R$ 6 milhões, quase R$ 7 milhões”, explicou.


Temyllis explicou que o Estado tentou, por anos, regularizar a área onde atualmente ocorre a Expoacre, sem sucesso, junto à Superintendência de Patrimônio da União (SPU). “O Estado já vem tentando, por quase oito anos, essa doação. Só neste governo fizemos dois projetos e não conseguimos a aprovação. A SPU tem doado terreno para todo mundo, mas, para a gente, o terreno da Expoacre, infelizmente, eu não sei por que motivo, não conseguimos. Nós tivemos muitos gastos ali na Expoacre. Eu digo gastos mesmo, porque é um gasto enorme”, disse.


A secretária relatou ainda problemas estruturais e de segurança no local, que é de responsabilidade da SPU. “Quando termina a Expoacre, a gente devolve o espaço, e eles deveriam cuidar da infraestrutura. Mas não tem segurança: depredam tudo, roubam fio, tijolo, telhado”, destacou.


Ela acrescentou que a área atual, de 33 hectares, sequer pode ser plenamente utilizada. “A gente tentou fazer vitrine tecnológica lá, mas não foi possível porque não pode fechar, não pode fazer grandes investimentos fixos; o gado entra, quebra tudo, roubam tudo”, explicou.


Com a desapropriação, o governo pretende consolidar uma estrutura definitiva para eventos e atividades do setor produtivo. “A gente avaliou que, se você tem, em média, um gasto de R$ 10 milhões por ano para fazer uma feira, desapropriar um terreno que seja, de fato, do Estado permite fazer investimentos fixos, ter a sede da secretaria e toda a estrutura”, explicou.


“Fazer a vitrine tecnológica em parceria com a Embrapa, com o Sebrae, com o Ifac e a Ufac, que são nossos parceiros. A gente tem convênios de laboratório de análise de solo, de bromatologia. Agora encontramos uma propriedade que atende aos critérios, até porque fica próxima de onde vai passar o arco metropolitano. Então, ali a gente vai poder ter um ajuste no trânsito também”, acrescentou.


A nova estrutura também deve reduzir despesas com aluguel e melhorar a logística da secretaria.


“A sede da Secretaria de Agricultura, galpão de mecanização, galpão para manutenção de máquina. Hoje, a gente tem dois galpões alugados, um de R$ 14 mil e outro de R$ 13 mil. A gente está gastando quase R$ 30 mil por mês. Está na hora de a gente ter um local fixo nosso mesmo”, explicou.


Ao final a gestora também falou sobre as condições do prédio atual onde funciona a pasta. “Este imóvel é antigo, a gente já investiu, mas não tem esgoto adequado, já tivemos que parar 20 dias para manutenção, não tem estacionamento”, relatou.


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