Durante a solenidade de abertura oficial do ano letivo de 2026, realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Francisco de Paula Oiticica Filho, em Rio Branco, o prefeito Tião Bocalom comentou na manhã desta segunda-feira, 16, a crise envolvendo o transporte coletivo da capital após a empresa responsável, Ricco Transportes, por parte das linhas, anunciar a paralisação de 31 rotas e voltar atrás na decisão no fim de semana.
Segundo o prefeito, o problema no sistema de transporte coletivo é antigo e vem sendo enfrentado por diferentes gestões ao longo das últimas décadas. “Olha, evidentemente que nós estamos com um problema sério no transporte coletivo há muitos anos, não é de agora. Transporte coletivo é um problema aqui em Rio Branco há 30 anos. Nós estamos tentando equalizar, equacionar a situação. A gente sempre dá esses probleminhas pelo meio do caminho, mas graças a Deus que nós temos uma Procuradoria Geral do município que nos acolhe, nos ajuda muito. Nós temos uma equipe no RBTrans que também está dedicada a dar soluções”, afirmou.
Bocalom ressaltou que a prefeitura tem arcado com custos para manter o sistema funcionando sem aumentar o valor da passagem para a população. “Nosso povo não pode ficar sem transporte e nós estamos fazendo de tudo, porque veja só, nós nunca aumentamos o valor da passagem, mesmo tendo dobrado o valor do aluguel, ou seja, a Prefeitura está bancando tudo. A Prefeitura banca, inclusive, essa questão do transporte dos alunos. Se o Governo do Estado, o Governo Federal, bancasse o transporte dos alunos, com certeza o custo seria muito melhor para a Prefeitura, porque é o pobre ajudando o rico”, declarou.
O prefeito também citou outros custos que, segundo ele, recaem sobre o município. “É a Prefeitura de Rio Branco bancando: gratuidade dos idosos, que é lei federal, bancando gratuidade do transporte coletivo dos alunos de escolas federais, escolas estaduais e escolas particulares. Tudo isso está nas costas da Prefeitura, mas nem por isso a gente desanima. A gente continua lutando, a licitação já está em andamento”, disse.
Ainda de acordo com Bocalom, a expectativa é que o novo processo licitatório traga mais estabilidade ao sistema. “Eu tenho fé em Deus que essa licitação vai ser o maior possível, tendo-se um contrato bem amarrado. Não tenho dúvida nenhuma que a gente pode continuar exigindo qualidade no serviço, que é o que nós sonhamos. Nós sonhamos que um dia muita gente vai deixar o carro em casa e andar de ônibus. Por quê? Porque vai ter qualidade. E é essa qualidade que nós estamos atrás”, afirmou.
O prefeito também comentou que a atual situação das empresas do sistema pode afetar investimentos na renovação da frota. “Esses problemas que estão dando, evidentemente, é uma empresa que está ainda, não tenho certeza se vai ficar, se não vai. Evidentemente que ninguém investe, eu não tenho certeza se vai ficar. Então, nós estamos fazendo de tudo para evitar os problemas”, declarou.
Ele afirmou ainda que a gestão municipal realizou reuniões ao longo do fim de semana para garantir a continuidade do serviço. “E graças a Deus foram reuniões sábado, reunião domingo, com toda a nossa equipe, técnica, jurídica, para achar caminhos. E graças a Deus a empresa trabalhou normalmente, está trabalhando normalmente hoje. Se Deus quiser, vai continuar trabalhando. O mais importante é qualidade e continuidade no serviço de transporte, que é fundamental para a nossa população. Especialmente os mais humildes, os mais simples, que não tem um carro, que não tem uma moto, para poder chegar até o seu trabalho”, disse.
Ao comentar as publicações feitas pela empresa responsável por parte das linhas do sistema, o prefeito afirmou que é preciso compreender as dificuldades enfrentadas pelos dois lados.
“Preste atenção, a gente sabe, por exemplo, onde a gente fazia as contas, todo mundo acha que a Rico recebe R$7,03 pelas passagens todas. Mas não é verdade. Por quê? Porque o aluno paga apenas R$1. A Prefeitura entra com mais R$0,75 de subsídio do aluno. E mais R$3,73, sei lá, mais o valor que paga para todas elas”, explicou.
Segundo ele, o valor efetivamente recebido pelas empresas é menor do que muitos imaginam. “Então, na realidade, o valor da passagem que a Rico recebe hoje, e aí ela não está errada, é alguma coisa em torno de R$6,30, e não R$7,13, como muita gente acha que é. Então, eu acho que no fundo, eles têm algumas reclamações a fazer, evidentemente, porque o preço realmente está bem abaixo”, afirmou.
Bocalom também mencionou que a insegurança jurídica pode dificultar novos investimentos no sistema.“E a outra coisa, não tenho dúvida nenhuma, é que eles não têm a segurança jurídica de continuidade. Se eles não têm, como é que vão ficar fazendo tantos investimentos, botar veículos novos e tal? Então, a gente precisa entender os dois lados”, disse.
Por fim, o prefeito declarou que a gestão municipal não vê problema em discutir o assunto publicamente. “Eu sou uma pessoa que gosta de ser sincero com as coisas. Eu não gosto de conversa fiada, eu não sou de fazer rolo nem maracutaia, eu gosto das coisas transparentes. Então, quando eles falaram que queriam ir para a Câmara para falar, eu falei, pode ir, por mim não tem nenhum problema. É mostrar o que está acontecendo. Eu acho que a realidade tem que ser mostrada”, concluiu.