Após a inauguração do novo prédio da Fábrica de Leite de Soja e do Complexo Agroindustrial da Agricultura Familiar, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), concedeu entrevista à reportagem e afirmou que os principais beneficiados serão crianças da rede municipal, pessoas acamadas e cidadãos em situação de vulnerabilidade social. Durante a conversa, ele também rebateu críticas feitas ao projeto ao longo dos anos.
Bocalom declarou que lamenta ter sido alvo de críticas quando defendia a produção como caminho para geração de emprego e renda. “A pior coisa do mundo é ver alguém zombar de uma ideia que você sabe que dá certo. Fui criticado há muito tempo quando falava em produzir para empregar, produzir café, arroz e feijão. Hoje vejo que muita gente está reconhecendo isso”, afirmou.
O prefeito voltou a criticar políticas adotadas no passado e disse que o Acre ainda enfrenta altos índices de pobreza. Segundo ele, o fortalecimento da produção agrícola é o caminho para mudar esse cenário. “Hoje estão plantando café, arroz, feijão, soja e milho. Demorou, mas chegou”, declarou.

Sobre a fábrica de leite de soja, Bocalom relembrou que o projeto foi idealizado ainda em 1993, quando era prefeito de Acrelândia, mas não pôde ser executado por falta de recursos. Ele destacou que o produto será destinado principalmente às escolas, a pessoas acamadas e a quem possui intolerância à lactose.
De acordo com o prefeito, com 8 quilos de soja é possível produzir até 100 litros de leite. A produção inicial será de 2 mil litros por dia, podendo chegar a 4 mil litros. O leite será ofertado em quatro sabores, como forma de facilitar a aceitação entre as crianças.
Bocalom afirmou ainda que o produto poderá ser distribuído nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), nas escolas e, futuramente, conforme avaliação técnica, também por meio das unidades de saúde. Ele explicou que a intenção é, no futuro, enriquecer o leite com micronutrientes conforme a necessidade nutricional de cada público, mediante orientação de nutricionistas.
Segundo os cálculos apresentados pela equipe da prefeitura, o custo de produção será de aproximadamente R$ 1,50 por litro. O prefeito comparou com o valor de mercado, que pode variar entre R$ 14 e R$ 15 por litro. “Vamos produzir para nossas crianças por R$ 1,50. É um custo muito menor”, ressaltou.
Em relação ao Complexo Agroindustrial da Agricultura Familiar, Bocalom afirmou que a estrutura vai beneficiar diretamente os produtores locais, especialmente aqueles que hoje não conseguem beneficiar sua própria produção.
Ele explicou que a unidade conta com linha completa de beneficiamento de arroz, incluindo descascamento, brunimento, polimento, separação por tamanho e seleção eletrônica por cor, garantindo padrão semelhante ao de marcas consolidadas no mercado nacional. O feijão e o milho também passarão por processos que agregam qualidade e valor ao produto final.
O prefeito destacou que o arroz produzido no Acre deverá ganhar espaço nos supermercados locais, com a identificação do produtor na embalagem. “O acreano valoriza o que é daqui”, afirmou.
Sobre os investimentos, Bocalom informou que os equipamentos de beneficiamento custaram mais de R$ 7 milhões, enquanto os galpões e demais estruturas elevaram o valor total do complexo para aproximadamente R$ 20 milhões. Segundo ele, os recursos são exclusivamente do município, sem repasses do governo federal ou estadual.

O prefeito acrescentou que o papel do poder público é fomentar o início do processo produtivo, abrindo caminho para que, no futuro, a iniciativa privada amplie os investimentos no setor.
Por fim, Bocalom afastou qualquer possibilidade de conflito com o vice-prefeito Alysson Bestene, que deverá assumir a prefeitura futuramente. Ele afirmou que a relação entre ambos é sólida e que não haverá disputas internas.
O gestor ressaltou que a administração deixará mais de 70 obras em andamento, somando cerca de R$ 500 milhões em investimentos. “Não estou preocupado com quem vai inaugurar. Quero que o povo receba as obras e os benefícios do nosso trabalho”, concluiu.