Em um discurso longo, direto e por vezes emocionado, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), marcou nesta terça-feira, 31, a inauguração do Complexo Agroindustrial da Agricultura Familiar com críticas a adversários como o Partido dos Trabalhadores, defesa da produção local e a reafirmação de uma ideia que, segundo ele, vem sendo defendida há mais de três décadas: o leite de soja.
Bocalom relembrou que a proposta de produção de leite de soja é antiga e já foi alvo de críticas públicas como na campanha de 2012, onde a proposta da implantação da vaca mecânica foi satirizado pela antiga Frente Popular do Acre (FPA).
“Eu falo de leite de soja desde 1993. Portanto, há 33 anos atrás. Agora estamos realizando. Em 2012, lembra da chacota que faziam? Mostrava uma vaca de ferro, tirando o leite da vaca de ferro. A maior gozação que fizeram. Mas agora vão ter que engolir. Vai ter que beber o leite aqui agora. Se eles não quiserem, pelo menos o filho deles na escola vai beber. O neto deles na escola vai beber”, disparou.
Diante de produtores, estudantes e autoridades, Bocalom iniciou destacando o foco social do projeto, especialmente voltado à alimentação infantil. “Nós temos a questão de trazer essas crianças para mostrar que isso aqui é para elas, principalmente para elas, porque a criança precisa de muita segurança alimentar. Já está dando isso nas escolas, mas aqui vem complementar mais ainda”, afirmou.
O prefeito também ressaltou a importância da presença de educadores e produtores rurais no evento. “Muito obrigado pela presença de cada um de vocês. Obrigado aos nossos coordenadores e diretores das escolas que trouxeram as crianças para participar desse momento tão importante na nossa vida da produção de Rio Branco. E a todos os produtores rurais que estão aqui”, disse.
Ao longo do discurso, ele reforçou que a iniciativa integra uma mudança de visão sobre o desenvolvimento do estado. “O importante de tudo isso é que a gente está fazendo um trabalho para poder mudar o conceito de desenvolvimento desse Estado. Chega daquela história de que a floresta vai dar tudo o que você quer. Já provou que não deu”, declarou.
O prefeito também destacou o potencial econômico da nova indústria, mencionando o interesse de produtores locais. “Ontem eu trouxe aqui o maior produtor de soja para conhecer a produção. Ficaram super empolgados aqui. Porque a soja tem que mandar para fora. E aqui, nós já temos uma indústria para beneficiar”, explicou.

Ao falar sobre o consumo do produto, Bocalom reconheceu que a aceitação pode variar inicialmente, especialmente entre crianças, mas demonstrou confiança na adaptação. “Eu sei que num primeiro momento algumas gostam, outras ficam meio na dúvida, mas eu tenho certeza que ao longo do tempo todo mundo vai aprender a gostar. É igual o Toddynho”, comparou.
Ele também enfatizou o valor nutricional do leite de soja, citando diferentes públicos que podem se beneficiar. “O leitinho de soja você pode dar para a criança sem medo, para recém-nascido, para idoso, para quem está acamado. Se o médico indica para quem está doente, imagina para nós que estamos sãos”, afirmou.
Durante a fala, o prefeito ampliou o escopo do complexo e destacou que a estrutura não se limita à produção de leite. “Aqui é apenas um pedaço do Complexo Agroindustrial da Agricultura Familiar. Porque não é só a soja. Nós temos o arroz, gente. Chega de comer arroz de fora. Chega de comer feijão de fora. Chega de comer derivado de milho de fora”, disse.
Ele anunciou ainda a implantação de uma linha moderna de beneficiamento de grãos no estado. “O Acre nunca teve isso aqui. Pela primeira vez está recebendo uma linha de beneficiamento de arroz, feijão e milho”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o investimento realizado exclusivamente com recursos municipais. “Isso tudo aqui custou mais de 20 milhões de reais. De onde esse dinheiro? Da Prefeitura. Não tem um centavo do Governo Federal e não tem um centavo do Governo Estadual. É tudo nosso. O dinheiro é público, você tem que cuidar bem. Se cuidar bem, tem. Agora, se não cuidar bem, não tem”, ressaltou.

Na parte final, Bocalom voltou a enfatizar o papel da produção local no combate à pobreza e na geração de renda. “Não tem jeito de melhorar a vida das pessoas sem dinheiro no bolso. Dinheiro não cai do céu, tem que trabalhar”, afirmou.
O Chefe do Poder Executivo Municipal também chamou atenção para os índices de vulnerabilidade social no estado. “O Acre tem uma boa parte da família, mais de 10%, que vive abaixo da linha da miséria. Por causa de políticas erradas. Mas nós estamos mudando tudo e vamos continuar mudando”, disse.
Encerrando o discurso, o prefeito reforçou o compromisso com a agricultura familiar. “Nós queremos comer o arroz do Acre, o feijão do Acre, derivado de milho do Acre, continuar tomando leite do Acre. Quem vai ganhar com isso? Agricultura familiar”, concluiu.