O dólar à vista opera com forte alta perante o real nesta terça-feira (3), à medida que o aprofundamento do conflito no Oriente Médio provoca uma busca por ativos seguros, impulsionando os preços do petróleo e aumentando as preocupações com a inflação.
As preocupações com a inflação levaram os investidores a reduzir as apostas em cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, com o primeiro corte nos EUA já precificado em setembro e as apostas em uma terceira redução em 2026 diminuindo.
Qual a cotação do dólar hoje?
Às 12h17, o dólar à vista operava com alta de 3,28%, aos R$ 5,336 na venda. O dólar futuro para abril – o mais líquido no mercado brasileiro – subia 2,36% na B3, aos R$ 5,339.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,335
- Venda: R$ 5,336
O que aconteceu com dólar hoje?
A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta dos preços do petróleo e a aversão a ativos de risco, levando a uma forte valorização da moeda americana. O Catar suspendeu sua produção de gás natural liquefeito na segunda-feira, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.
“O que estamos vendo é um movimento clássico de fuga para ativos considerados mais seguros, em meio à piora do cenário geopolítico”, disse Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã recolocou os mercados globais em modo risk-off, elevando de forma expressiva a aversão ao risco. Segundo ele, o dólar voltou a subir com força, refletindo a busca por proteção. O fechamento, ainda que contestado, do Estreito de Ormuz e os novos bombardeios na região ampliam o prêmio geopolítico embutido nos ativos.
Shahini destaca que a alta do petróleo e do gás natural, somada à abertura das taxas globais de juros, reforça o temor de choques de oferta e de pressões inflacionárias adicionais, especialmente diante do risco de interrupção prolongada no fluxo de energia do Golfo.
Na agenda nacional, O Brasil abriu 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado de janeiro foi fruto de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos e ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 92.000 vagas.
Já o PIB do Brasil subiu 0,1% no 4º tri e avançou 2,3% em 2025, em linha com o esperado.