Mesmo após o avanço nas negociações com o governo do Acre, os militares estaduais devem permanecer nas ruas ao lado das demais categorias. A informação foi confirmada ao ac24horas nesta quarta-feira (1) pelo sargento Jean Messias, presidente da Associação dos Militares (AME), que reforçou a continuidade da adesão à Frente Única Sindical, mesmo diante de um acordo parcial construído com o Executivo.
A sinalização de entendimento com a categoria havia sido antecipada pelo líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado estadual Manoel Moraes (PP). Segundo ele, após reuniões realizadas até a noite de terça-feira (31), o governo chegou a um acordo com a Polícia Militar, incluindo a retomada do auxílio-alimentação e a manutenção da proposta considerada “possível” dentro dos limites orçamentários.
“Tudo o que era possível o governo oferecer, ele ofereceu”, afirmou Moraes, ao indicar que a proposta deve ser votada ainda nesta quarta-feira (1), com pouca margem para alterações. Na prática, o entendimento prevê a concessão de auxílio de cerca de R$ 700 para os militares, além de outros ajustes pontuais. Ainda assim, segundo Jean Messias, o acordo não contempla toda a categoria, especialmente reservistas e veteranos, o que mantém o nível de insatisfação. “Nós lutamos para que o auxílio fosse para todo mundo, inclusive os reservistas, mas infelizmente não conseguimos. O governo vai mandar a proposta inicial”, disse.
O dirigente explicou que a categoria defendia um valor mínimo e decidiu aceitar o que foi possível neste momento, sem abrir mão de novas reivindicações. “A gente não queria que fosse dessa forma. Queríamos um valor maior e para todos. Mas, dentro da situação, estamos de acordo. Depois vamos continuar lutando para equiparar”, afirmou.
Apesar de contemplados parcialmente, ponto que o governo usa como argumento para sustentar o acordo, os militares deixam claro que não vão se descolar do movimento coletivo. A permanência na Frente Única Sindical, segundo Messias, é estratégica e essencial para garantir avanços mais amplos. “A gente continua firme com a frente. Só chegamos até aqui porque estávamos juntos. E vamos continuar juntos para melhorar para todo mundo”, declarou.
A decisão amplia a pressão sobre o governo e o Parlamento em um dia considerado decisivo, marcado pela expectativa de uma sessão longa na Aleac, possivelmente avançando pela noite, devido ao prazo final para votação antes das restrições eleitorais.
Mesmo com a base governista defendendo que a proposta está “fechada”, a manutenção dos militares nas manifestações mostra que o acordo está longe de pacificar o funcionalismo. Pelo contrário: reforça o caráter coletivo da mobilização e indica que, independentemente do desfecho da votação, a tensão deve continuar.
“Qualquer manifestação ou paralisação, a gente vai estar junto. Porque só unidos a gente consegue avançar, não só com esse governo, mas com os próximos também”, concluiu.