Em uma agenda considerada histórica para a infraestrutura do Acre, o governo federal anunciou nesta quarta-feira, 01, um pacote de investimentos superior a R$ 830 milhões para obras na BR-364, principal corredor rodoviário do estado. O anúncio foi feito no Ministério dos Transportes, com a presença do ministro Renan Filho e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, que atuou diretamente na articulação da pauta.
A iniciativa contempla dois trechos estratégicos: a recuperação e modernização do acesso urbano de Rio Branco, incluindo a ligação até o aeroporto, e a reestruturação de um segmento crítico da rodovia entre Sena Madureira, região de Manoel Urbano até o Liberdade, em Cruzeiro do Sul.

Logo no início da entrevista, Viana destacou o peso político e institucional do anúncio, associando o investimento à recente agenda do governo federal no estado. “Bom dia, é um prazer tá falando aqui no Acre, direto de Brasília, ao vivo. Eu queria dizer que isso é resultado da ida do presidente Lula ao Acre, e agora está se materializando, porque não é uma coisa simples. Brasília precisa de alguém aqui sempre lutando pelos interesses de cada estado, e das obras também, com bons projetos”, destacou.
O pacote prevê execução imediata em um dos trechos mais movimentados da capital acreana, entre a área urbana e o aeroporto de Rio Branco, com cerca de 18 quilômetros considerando ida e volta. Segundo Viana, essa etapa terá início praticamente imediato. “O outro não, o outro a obra começa já imediatamente, talvez em menos de dez dias, aquela obra da cidade do aeroporto começa”, explicou.
Já o trecho mais extenso, com aproximadamente 104 quilômetros entre Sena Madureira e após a entrada de Manoel Urbano, passará por processo licitatório, mas com previsão de execução ainda em 2026. “Licita, imediatamente solta a licitação e aí vira-se da licitação começa a obra esse ano. É obra agora, porque tivemos que mudar o orçamento pra poder ter os recursos e ter a licitação. Vamos supor que demore dois, três meses, mas aí quando tivermos no período sem chuvas, muito provavelmente já vai estar começando também ainda esse ano, a obra do trecho de Sena Madureira rumo a Cruzeiro do Sul, mas no primeiro trecho de cento e quatro quilômetros”, acrescentou.
Um dos pontos centrais do projeto é a adoção do macadame hidráulico, tecnologia apontada como mais resistente às condições do solo amazônico, frequentemente apontado como um dos principais desafios da BR-364. Viana detalhou o método e defendeu sua eficácia. “Ele vai ter agora um tratamento em macadame. Macadame é uma camada de pedra que varia de vinte a trinta e cinco centímetros, depois oito centímetros de asfalto em cima. Aí eu acho, pra aquela região de solo horrível, que não tem pedra no Acre, podemos estar falando de uma solução definitiva que o povo sonha e espera muito tempo pra BR”, pontuou.
O presidente da Apex também relembrou a construção anterior do trecho urbano, ainda durante sua gestão como governador. “Na época que eu fiz aquele trecho, nós convidamos, inclusive, a Ivete Sangalo pra inaugurar, porque eu fiz aquele trecho do aeroporto duplicado, o anel viário, aquela quarta ponte”, destacou.
Ao comentar a importância da obra, Viana destacou que a recuperação da BR-364 é uma reivindicação antiga da população acreana. “A outra obra tão esperada, que todo o povo do Acre reclama e com razão, é da gente ter um trabalho agora definitivo com essa técnica na BR-364. A estrada do Pacífico já está melhorando, que é a 317, e agora é fazer macadame de Sena Madureira até o Rio Liberdade”, ressaltou.
Apesar do volume expressivo de recursos, Viana reconheceu que o investimento cobre apenas uma fração do problema estrutural da rodovia. “Nós estamos falando de um trecho de quatrocentos quilômetros, que é a parte mais crítica. Desses quatrocentos quilômetros, vinte e cinco por cento tá sendo contratado nessa licitação, falando exclusivamente da parte macadame”, pontuou.
Ele lembrou que, no passado, o governo estadual chegou a assumir a execução das obras por meio do modelo de “obra delegada”. “Quando eu estava no governo, eu fiz a obra delegada, porque o Acre é tão distante de Brasília, as prioridades são tantas outras que eu falei: passe as BRs que nós vamos cuidar”, relembrou.
Durante a entrevista, Viana fez críticas diretas à condução da política de infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro (PL), atribuindo a atual situação das rodovias à falta de prioridade e recursos. “No governo passado, por exemplo, tinha político do Acre, relator do orçamento, e a bancada não botou os recursos necessários para BR poder não ficar no estado de abandono que ficou.Foi um caos para 317, a nossa estrada do Pacífico e para BR-364. Quase interditou”, observou.
O presidente da Apex também abordou o cenário político nacional e os possíveis impactos das eleições sobre a continuidade dos investimentos. “Claro que o resultado da eleição muda o rumo. Um ano como esse de eleições gerais, onde dois dos três senadores vão ser eleitos, muda tudo.O papel da bancada federal em Brasília é decisivo.Eu acredito muito que não há dúvida de que o presidente Lula foi, junto com o Fernando Henrique, um dos governos que mais fizeram pelo Acre, e numa reeleição dele, eu acho que a gente fica mais garantido”, pontuou.

Viana criticou a fragmentação da atuação política e defendeu maior alinhamento em torno de pautas estruturantes. “Essa história de todo mundo ficar dizendo ‘eu fiz uma emenda pra ali, uma emenda pra acolá’, perdeu o foco. Nós temos que ver o que é fundamental pro Acre.As BRs são fundamentais, porque elas ligam os municípios acreanos”, salientou.
Ao falar sobre representatividade política, Viana destacou a importância da experiência para garantir resultados concretos no Congresso Nacional. “No Senado Federal, você tem que pôr pessoas experientes, pessoas que têm diálogo em Brasília. Eu fui quatro anos vice-presidente do Senado e, nos oito anos de mandato, fui eleito um dos cem mais influentes do Congresso. Tem gente que ganha uma eleição e já tá interessado na outra eleição e não no trabalho que precisa ser feito”, afirmou.
Encerrando a entrevista, Viana adotou um tom de defesa da unidade política e social como caminho para o desenvolvimento do Acre. “Minha ideia é unir o Acre, pacificar. Não tenho nenhum interesse em mandato para brigar.Essas questões ideológicas, pra mim, são um atraso. O mundo é outro. Mais de cem mil pessoas foram embora do Acre. Não tem uma família que não tem alguém que foi embora em busca de melhor sorte.Então, vamos trazer esse povo de volta, vamos fazer o Acre avançar de novo. Eu sigo acreditando no Acre”, finalizou.


