O anúncio do mais novo empréstimo do Governo do Acre junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) surpreende. São R$ 120 milhões que serão divididos em cinco eixos estratégicos: Desenvolvimento urbano resiliente e sustentável; Eficiência energética e transição para economia de baixo carbono; Fortalecimento da bioeconomia e do desenvolvimento florestal; Turismo, cultura e economia criativa e Modernização da gestão pública.
Ao menos teoricamente, são fundamentos que integrariam qualquer dos governos da antiga Frente Popular do Acre. No entanto, foram formulados e apresentados ao banco público no governo de Gladson Camelí, sob a coordenação do secretário de Estado de Planejamento, Ricardo Brandão, ex-integrante da administração Binho Marques. O escopo do projeto apresentado ao BNDES tem um claro foco estruturado na ideia de sustentabilidade ambiental e econômica.
Gladson Camelí elegeu-se governador estranhando a agenda ambiental, promovendo o agronegócio, fazendo propaganda política em fazendas da monocultura de soja e, relacionando tudo isso com a ideia de “desenvolvimento econômico”. Desdenhou de fiscais do Instituto de Meio Ambiente do Acre, até. Isso foi no distante ano de 2019. Seis Conferências das Partes depois, além de algumas agendas internacionais, Camelí percebeu o que o mundo tem valorizado na gestão pública com consequências diretas para os cofres dos governos regionais.
Não à toa, o recurso integra o Fundo Clima e o BNDES Invest Impacto. Qualquer real que saia dessa gaveta do cofre do BNDES precisa envolver diversos setores dos governos estaduais e ter foco na promoção da sustentabilidade, fortalecendo cadeias produtivas em regiões de muita vulnerabilidade social e econômica. É o tipo de ação que só um banco público tem condições institucionais de custear.
Urbanização do Igarapé São Francisco está contemplada
O portfólio está estruturado da seguinte forma, abrangendo as regiões dos vales do Alto Rio Acre, Vale do Baixo Rio Acre e Vale do Rio Juruá. Destacam-se a revitalização da bacia do Igarapé São Francisco e a criação do Jardim Botânico Irineu Serra, em Rio Branco:
Revitalização da bacia do Igarapé São Francisco (R$ 37,4 milhões)
Jardim Botânico Irineu Serra (R$ 18 milhões)
Usinas fotovoltaicas em prédios públicos (R$ 12,2 milhões)
Centro de Artesanato e Turismo do Acre (R$ 12 milhões)
Implantação de viveiros públicos (R$ 14 milhões)
Fonte: ac24Agro