“Efeito Neymar” faz Santos ampliar receitas e arrecadar quase R$ 700 milhões em 2025

Futebol – Campeonato Brasileiro – Santos x Corinthians – Estádio Urbano Caldeira, Santos, Brasil – 15 de março de 2026 Neymar, do Santos, durante o aquecimento antes da partida REUTERS/Thiago Bernardes

O Santos apresentou uma forte recuperação financeira em 2025, impulsionado por um aumento significativo nas receitas. De acordo com o balanço divulgado pelo clube, o total arrecadado chegou a R$ 678,5 milhões, valor que representa crescimento de quase 70% em relação a 2023, considerando períodos equivalentes na Série A do Brasileirão.


O avanço foi puxado principalmente pelas chamadas receitas recorrentes, que praticamente dobraram no intervalo de dois anos e passaram a ter peso maior na composição do faturamento. O cenário atual contrasta com o vivido recentemente pelo clube, marcado por instabilidade financeira e forte dependência da venda de jogadores.


Em 2023, o Santos registrou cerca de R$ 407 milhões em receitas totais, em um momento considerado o mais delicado de sua história. O rebaixamento para a Série B reduziu drasticamente as entradas vindas de direitos de transmissão e premiações, enquanto decisões equivocadas no futebol elevaram os custos operacionais.


A estrutura financeira também era vista como frágil, já que boa parte da arrecadação dependia de negociações de atletas, sem uma base sólida de receitas previsíveis.


Dois anos depois, o quadro é outro. O clube apresenta crescimento consistente, com maior diversificação de fontes e mais previsibilidade nas entradas, o que melhora o planejamento e reduz a exposição a riscos.


Além do aumento no faturamento, o Santos evoluiu no aspecto operacional. O superávit antes do resultado financeiro passou de R$ 58,3 milhões em 2024 para R$ 104,8 milhões em 2025, indicando maior capacidade de geração de caixa.


Mesmo com impacto de despesas financeiras e amortizações, o clube ainda registrou déficit contábil – porém em patamar menor. A redução foi de cerca de 24%, sinalizando avanço no controle das contas.


O presidente Marcelo Teixeira destacou o processo de reorganização e a mudança de cenário em relação ao momento da sua chegada ao clube.


“Assumimos o Santos em um cenário extremamente desafiador, com receitas comprometidas e pouca previsibilidade. O que vemos em 2025 é resultado de um trabalho focado na reorganização, no fortalecimento das receitas recorrentes e na recuperação da credibilidade do clube no mercado. Ainda há desafios, mas os números mostram que estamos no caminho certo para tornar o Santos financeiramente mais sólido e sustentável”, afirmou.


Resultado acima do previsto

Internamente, a diretoria avalia que o desempenho superou as projeções iniciais. O clube arrecadou cerca de 60% a mais do que o previsto para o período, com destaque para três frentes principais:


  • Cotas de TV negociadas em valores superiores ao esperado;
  • Transferências de atletas acima do orçamento inicial;
  • Crescimento expressivo das receitas com sócios.

Neste último ponto, a chegada de Neymar teve papel relevante. O impacto da contratação foi sentido diretamente no engajamento da torcida e na adesão ao programa de associados, que gerou cerca de R$ 50 milhões ao longo do ano – mais que o dobro do previsto inicialmente.


Além disso, o retorno do atacante elevou a visibilidade do clube nas redes sociais, ampliou o número de seguidores e ajudou a atrair novos patrocinadores, fatores que contribuíram para melhorar a negociação de contratos comerciais.


A atual gestão entende que o contraste com o passado recente é evidente. Quando assumiu o clube, em 2024, Marcelo Teixeira classificou a situação como a “pior da história” sob os pontos de vista financeiro e administrativo, em meio à disputa da Série B.


Agora, o diagnóstico interno é de evolução contínua, com avanços tanto na organização das contas quanto na construção de um modelo mais sustentável para os próximos anos.


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