A inauguração do Complexo Agroindustrial da Agricultura Familiar, em Rio Branco, também deu espaço para relatos técnicos e experiências diretas de quem atua na produção e no funcionamento da cadeia agrícola local. As falas destacaram na manhã desta terça-feira, 31, o impacto da nova estrutura na agricultura familiar e na produção de alimentos básicos no Acre.
Responsável técnico pelo armazenamento e operação das máquinas, Joselito Soares avaliou que o empreendimento representa um avanço significativo para o setor produtivo. “É um benefício muito grande para a população acreana, principalmente para o produtor rural. Isso vai dar um impulso na nossa agricultura. Isso compreende arroz, feijão e soja. A soja está começando agora, mas já tem produção. Esse ano foram colhidos 17 mil hectares. É lamentável que não tenha vindo uma indústria antes, porque a indústria só vem quando você tem matéria-prima, mas chegou agora a vaca mecânica que vai consumir uma parte dessa produção”, destacou.
Sobre a capacidade produtiva das máquinas, o técnico ponderou que o funcionamento inicial será gradual, acompanhando o volume ainda em expansão da produção local. “No início, a produção ainda não alimenta essa capacidade produtiva, mas isso vai incentivar a produção e, logicamente, os produtores vão produzir mais. A secretaria prepara o solo, fornece a semente, o adubo e o escoamento da produção. O produtor rural só tem a ganhar com isso. Provavelmente, de início, só um expediente, ou seja, 4 ou 5 horas, vai dar conta da produção existente atualmente”, explicou.
Já o produtor rural Marcos Dalney, da região do Baixa Verde, destacou o caráter experimental e simbólico da participação no projeto. “Eu moro na Baixa Verde, sou produtor de lá. A minha propriedade é 2,5 hectares. A gente cedeu 1 hectare para fazer parte desse projeto, para dizer que as coisas funcionam”, relatou.
Segundo ele, o cultivo ainda está em fase inicial, o que impede uma estimativa precisa de produtividade. “Para responder com precisão, só depois que a gente colher. Porque é a primeira vez que a gente está plantando. Então, a gente não tem estimativa, mas deu 100%”, pontuou.
O produtor vê na nova estrutura uma oportunidade de crescimento. “Com essa indústria aqui, possivelmente mais para frente, a gente aumentar as áreas, conseguir mais terra para poder estar plantando”, afirmou. Ele também destacou o apoio técnico recebido. “A Secretaria esteve sempre lá dando instrução”, disse.
Além do aspecto produtivo, Dalney ressaltou o valor simbólico da retomada da atividade agrícola tradicional. “Isso aqui é um resgate da nossa cultura. Eu sou filho de produtor rural, tenho 40 anos. Aos 10 anos eu participava com meu pai na roça, colhendo, batendo, limpando, levando o arroz a cavalo”, relembrou.
Para ele, o projeto tem impacto direto na vida das famílias. “É um resgate para mim, para a minha família. A gente deixou um pouco das outras culturas para viver isso aqui. É um alimento 100% saudável. A gente vai ter para comer por todo o resto do ano e ainda semente para plantar de novo”, ressaltou.