Uma estrutura abandonada localizada em um terreno público na região da Samaúma, em Rio Branco, tem gerado preocupação entre moradores da área. O local, que já abrigou atividades do Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre (PESACRE), atualmente apresenta sinais de abandono e passou a ser utilizado por usuários de drogas, segundo relatos da comunidade.
Moradores afirmam que a situação tem causado insegurança, especialmente durante a noite, quando pessoas passam a frequentar o espaço. A estrutura deteriorada, com sinais de destruição e falta de manutenção, também contribui para a sensação de abandono em uma área que possui infraestrutura instalada.
“Antigamente, tinha 25 funcionários, era o Pesacre, setor de pesquisas, tinha vigia e tudo era organizado. As associações faziam pesquisas, trabalhei lá fazendo a limpeza, só que da noite pro dia, foi abandonado. Agora, tem morador de rua que mora lá dentro e usa droga. Eu tô de cabeça de branca em ver essas coisas abandonadas, tanto do governo como da prefeitura, ali era pra ter sido feito uma feirinha e agora está naquela situação”, afirmou Manoel Silva, ex-prestador de serviço ao repórter Whidy Melo na manhã desta segunda-feira (09).
Em nota encaminhada ao ac24horas, o PESACRE explicou que o imóvel foi destinado à instituição pelo Governo do Estado do Acre em 2012, com o objetivo de sediar suas atividades de pesquisa e extensão voltadas à área agroflorestal.
Segundo a entidade, após receber o espaço, foram realizadas melhorias na estrutura com recursos próprios. No entanto, entre 2021 e 2022, o prédio teria sido alvo de sucessivos atos de vandalismo e furtos praticados por desconhecidos.
De acordo com o grupo, um dos episódios mais graves ocorreu no final de 2021, quando um incêndio durante a madrugada teria destruído grande parte da estrutura, que era composta por madeira e alvenaria.
Ainda conforme o PESACRE, diante das dificuldades para captar novos recursos e manter as atividades, a instituição iniciou em 2021 tratativas com o Governo do Estado para encerrar a concessão de uso do imóvel e devolvê-lo ao poder público.
Entretanto, segundo a entidade, o processo administrativo para formalizar a devolução do prédio não chegou a ser concluído, o que contribuiu para que o espaço permanecesse sem destinação definida.
Na mesma nota, a instituição também esclareceu questionamentos sobre repasses financeiros recebidos entre 2014 e 2018. Segundo o PESACRE, os valores se referem a contratos firmados com o Governo Federal para prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).
Os projetos, de acordo com a entidade, tinham como público beneficiário agricultores familiares de diversas comunidades do Acre, e os pagamentos eram feitos de forma parcelada, mediante a aprovação dos resultados e metas previstas nos planos de trabalho.


