Rede elétrica de Cuba entra em colapso, deixando milhões de pessoas sem energia

Pessoas batem panelas e frigideiras durante um protesto contra os cortes de energia elétrica em Havana, Cuba 7 de março de 2026 REUTERS/Norlys Perez

HAVANA, 16 Mar (Reuters) – A rede ⁠elétrica nacional de Cuba entrou em colapso nesta ⁠segunda-feira, informou a operadora de rede do país, deixando cerca ‌de 10 milhões de pessoas sem energia em meio a um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos que prejudicou o já obsoleto ‌sistema de geração da ilha.


A operadora de rede UNE informou nas redes sociais que está investigando as causas do apagão, o mais recente de uma série de interrupções de energia generalizadas que chegam a durar horas ou dias e que, neste fim de semana, provocaram um raro protesto ⁠violento ‌no país comunista.


Autoridades descartaram a possibilidade de uma grande falha na ⁠usina de energia, mas ainda não haviam identificado a causa principal do colapso da rede, sugerindo um problema na transmissão.


A energia começou a ser restaurada em todo o país em pequenos grupos de circuitos, ou microssistemas, disseram as autoridades, um primeiro, mas necessário passo para que ​a rede completa volte a funcionar.


Neste ano, os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre Cuba, sua inimiga de longa data, desde a ​captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro — o mais importante benfeitor estrangeiro de Cuba — em janeiro.


O presidente dos EUA, Donald Trump, cortou as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda petróleo a Cuba, estrangulando a já antiquada rede ‌elétrica da ilha caribenha.


Cuba disse na sexta-feira que ​iniciou conversas com os Estados Unidos com a esperança de acalmar a crise. Trump disse nas últimas semanas que Cuba está à beira do colapso e está ansiosa para ⁠fazer um acordo com ​os EUA.


Os cubanos ​já se acostumaram com as interrupções de energia, sejam elas ligadas à falta de fornecimento ⁠de petróleo ou a falhas sistêmicas na ​rede, que também podem ser resultado de uma geração de energia deprimida.


NO LIMITE


Cuba recebeu apenas duas pequenas embarcações com importações de petróleo neste ano, de ​acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG vistos pela Reuters nesta segunda-feira.


O primeiro navio-tanque descarregou combustível em janeiro ​no porto de Havana, ⁠vindo do México, que até então era um fornecedor regular da ilha. O segundo navio, da ⁠Jamaica, descarregou gás liquefeito de petróleo — conhecido como gás de cozinha — em fevereiro.


A Venezuela, que já foi o principal fornecedor de petróleo de Cuba, não enviou combustível para a ilha neste ano.


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