O relato da empresária acreana Samara Ossame, proprietária da Body Move, concedido ao ac24horas, expõe um medo que vai além da doença. Em um momento delicado da vida, ela conta que o principal era o receio de morrer e deixar os filhos.
No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, ela decidiu tornar pública uma batalha que começou de forma silenciosa semanas antes e que poderia ter terminado de forma muito diferente.
No dia 16 de janeiro de 2026, Samara recebeu o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso e pode levar à paralisia. Tudo começou com algo aparentemente simples, com uma infecção intestinal.
Após uma viagem de carro no início do ano, Samara apresentou um quadro de diarreia e procurou atendimento médico. Fez exames, recebeu medicação e voltou para casa. Nada indicava algo grave, mas poucos dias depois, o corpo começou a dar sinais.
“Comecei depois de uma infecção intestinal, procurei os médicos, fui no pronto atendimento, fiz exames e não deu nada. Sempre fui uma pessoa muito ativa, tenho dois filhos pequenos. De repente, eu me vi numa situação em que eu não poderia fazer nada.”
A perda de força apareceu primeiro de um lado do corpo. Na tentativa de manter a rotina, ela vestiu roupa de academia e saiu de casa. “Na quinta-feira amanheci pior. Levantei, coloquei a roupa da academia com dificuldade, mas eu disse ‘vou pra academia’. Cheguei lá e não consegui fazer nada. Eu estava sem força nenhuma do lado esquerdo.”
Na saída da academia, um encontro mudou o rumo da história. Samara encontrou a cardiologista Andreia Pinheiro e relatou os sintomas. A médica percebeu que algo não estava certo.
“Ela disse: ‘Vixe, mulher, tu tem que procurar um neuro’. Até então, eu não sabia que eu tinha que procurar um neurologista.” A orientação levou Samara até o neurologista Davi Muniz, na clínica Santé.
A primeira bateria de exames não mostrou alterações. Mesmo assim, o médico pediu um exame mais específico. A eletroneuromiografia analisa o funcionamento dos nervos e músculos. Quando chegou para fazer o exame, o quadro já tinha piorado.
“Eu não conseguia andar sozinha. Andava agarrada no braço do meu marido.” O resultado apontou alterações neurológicas e levantou a suspeita da síndrome de Guillain-Barré. Para confirmar o diagnóstico, os médicos solicitaram uma punção lombar para análise do líquor.
“Quando ele falou que achava que era a síndrome de Guillain-Barré, para mim foi ‘o que é isso’, porque eu não sabia o que era.” O diagnóstico exigiu resposta imediata.
Samara foi internada no mesmo dia e iniciou o tratamento com imunoglobulina, medicamento aplicado por infusão hospitalar durante cinco dias.
“No sábado mesmo eu fui internada para iniciar o tratamento. São cinco dias internada para fazer a infusão do medicamento. Ele não faz você sair curado. Ele paralisa o efeito da doença no organismo.”
A síndrome de Guillain-Barré ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos. O quadro costuma surgir após infecções virais ou bacterianas e provoca perda de força que pode evoluir para paralisia. Nos casos mais graves, o comprometimento atinge a respiração.
“Muita gente fica rodando de médico em médico achando que vai melhorar. Cada dia que passa pior. A doença vai paralisando de baixo para cima, pode paralisar a respiração e a pessoa pode morrer.”
Depois da alta hospitalar, começou uma nova etapa, a recuperação. Samara iniciou sessões diárias de fisioterapia e ainda enfrenta limitações físicas. “Fiquei sem força de apertar uma piranha para prender no cabelo, sem força de girar uma chave na porta.”
A empresária decidiu contar a própria história por um motivo direto: informação salva vidas. “Na hora em que eu recebi o diagnóstico, a primeira coisa que eu pensei foram meus filhos. Quanto mais pessoas souberem e forem alcançadas com informação, mais pessoas podem se salvar.”
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