Motoristas da empresa Ricco Transportes se reuniram nesta terça-feira (10), na sala de reuniões da Câmara Municipal, com vereadores da capital em busca de apoio após denúncias de demissões em massa. O encontro ocorreu um dia depois da divulgação de que dezenas de profissionais teriam sido desligados da empresa.
De acordo com relatos apresentados aos parlamentares, ao menos 25 motoristas já teriam sido demitidos, sendo dois por justa causa. Somente na segunda-feira (9), segundo os trabalhadores, 16 profissionais foram desligados de uma só vez.
Relato de motorista
Durante a reunião, o motorista Augusto, que trabalhava há quase quatro anos na empresa, relatou que sempre manteve histórico funcional sem faltas, atestados ou acidentes.
“Se você puxar minha ficha, eu não tenho uma falta, não tenho atestado e não tenho uma batida. Sempre gostei de trabalhar certinho. Mas a gente estava cansado de atraso. Eu pago pensão, tenho minhas contas, e a cobrança chega”, afirmou.
Segundo ele, os motoristas decidiram realizar uma paralisação no dia 18 de fevereiro, alegando que o sindicato não compareceu para representá-los. “A gente não fechou bairro, não fechou nada. Só paralisamos porque estávamos cansados de não sermos ouvidos”, disse.
Augusto relatou ainda que, após a manifestação, teriam ocorrido ameaças de represálias. “Disseram que ia ter represália. Depois da semana de festa, dois pegaram justa causa sem motivo. Depois, mais dois. Ontem chamaram dizendo que era reunião, fomos 17, e os 17 saíram demitidos”, contou.
Segundo ele, os trabalhadores teriam sido atendidos apenas pelo setor de Recursos Humanos e informados de que não faziam mais parte do quadro da empresa. “No papel só diz que, a partir de ontem, não pertencemos mais à Ricco e que não precisam mais do nosso serviço”, afirmou.
O motorista destacou que estava de férias quando foi desligado. “Eu entrei de férias no dia 2 de março e fui lá só pegar as contas. Sou pai de família, tenho dois filhos para criar. Perdi minha esposa quando eles ainda eram bebês e sempre lutei para dar o melhor. Mas, infelizmente, a empresa não está dando condições para a gente ter uma vida digna”, declarou.
Sobre a remuneração, Augusto informou que o salário bruto registrado em carteira é de R$ 2.700. Com descontos, o valor líquido varia entre R$ 2.300 e R$ 2.400, além do vale-alimentação.
Possível investigação
Após ouvir os relatos, o vereador André Kamai (PT) afirmou que poderá haver encaminhamento da situação ao Ministério do Trabalho para apuração das denúncias.
Também participaram da reunião os vereadores Eber Machado, Joabe Lira, Bruno Moraes e José Aiache. Os parlamentares devem avaliar medidas e possíveis encaminhamentos sobre o caso.