A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) manteve a condenação dos irmãos Ruan Alves da Silva e Samuel Filho da Silva Ferreira, acusados de executar a tiros o adolescente Andriel Oliveira da Silva, de 16 anos, em 4 de janeiro de 2024 , no Conjunto Rosa Linda, no Segundo Distrito de Rio Branco. A decisão foi unânime e negou os recursos apresentados pelas defesas.
A dupla foi condenada a júri popular em 31 de julho do ano passado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e participação em organização criminosa. Os réus são representados pela Defensoria Pública (DPE-AC), que não costuma se manifestar sobre os casos.
Segundo a decisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco, Ruan foi condenado a 24 anos e 6 meses de prisão. Já Samuel recebeu pena de 20 anos e 5 meses de prisão.
Conforme a apelação, as defesas pediam a revisão do tempo das penas e ainda o afastamento de circunstâncias consideradas agravantes na sentença dos irmãos, ocasião em que questionaram a condenação devido a ligações da dupla por fazer parte de facções criminosas.
Contudo, a relatora do caso, desembargadora Denise Bonfim, entendeu que a sentença seguiu parâmetros legais e que os fundamentos utilizados pelo juiz foram adequados. Por isso, por unanimidade, à Justiça negou o provimento aos recursos e manteve integralmente a condenação.
Crime
O adolescente Andriel Oliveira da Silva foi morto na noite de 4 de janeiro de 2024, no conjunto Rosa Linda, no Segundo Distrito de Rio Branco. À época, testemunhas, disseram que dois homens chegaram ao local em uma bicicleta e efetuaram vários disparos contra o jovem. Familiares ouviram os tiros e encontraram a vítima caída.
Segundo o Centro de Operações Policiais Militares (Copom), o adolescente foi atingido no tórax e no peito. Ele ainda foi levado por familiares à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito, mas morreu ao chegar na unidade.
Dois dias após o crime, o g1 conversou com um parente da vítima, que pediu para não se identificar. Segundo ele, a namorada de Andriel andava com o suposto mandante do crime e chegou, inclusive, a ter um relacionamento com ele. Os dois eram tidos como ‘irmãos’ de organização criminosa.
“O comentário que soubemos é que esse cara é considerado irmão dela e não aceitava o relacionamento com o Andriel. Era ficante dela. Pode ter sido um crime por ciúmes”, destacou à época.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime teria ocorrido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, e teria ocorrido no contexto de conflito entre facções, visto que a dupla saiu do conjunto Cidade do Povo e foi até o local onde a vítima morava.
Testemunhas também relataram que um dos suspeitos estava com o cabelo pintado e que, após os disparos, a dupla fugiu em direção ao bairro Belo Jardim.
Fonte: G1 Acre