Países do Oriente Médio contabilizam danos em novos ataques iranianos um dia após o presidente do país sinalizar que pararia de atacar nações vizinhas.
O que aconteceu
Aeroporto no Kuwait teve focos de incêndio após ataque com drones mirar tanques de combustível no local. Segundo a Agência de Notícias do Kuwait, o fogo foi controlado “sem danos significativos” e civis tiveram danos materiais por causa dos destroços das interceptações.
Em outro caso, dois militares do país morreram “enquanto desempenhavam suas funções”, segundo o Ministério do Interior. Outro ataque frustrado ao principal centro de Segurança Social do país deixou um rastro de destruição, também sem feridos.
Base aérea de Muwaffaq al-Salti, que é da Força Aérea da Jordânia, também foi atacada, segundo a Guarda Revolucionária. Em um pronunciamento, as forças armadas iranianas afirmaram que o local é “a maior e mais ofensiva base dos caças americanos”. A Jordânia não se pronunciou até o momento.
Hoje, o Bahrein confirmou que uma planta de dessalinização de água do país sofreu danos após um ataque iraniano. Segundo o Ministério do Interior, um drone atingiu a região
Este é o primeiro ataque a uma planta de dessalinização causado pelo Irã contra um país do Oriente Médio desde o início da guerra. Usinas de dessalinização são essenciais para o abastecimento da população, já que há poucas fontes naturais de água na região.
A confirmação de danos acontece um dia após o Irã anunciar um ataque a uma base dos EUA na região de Juffair, na capital do país. Segundo comunicado da guarda, mísseis de combustível sólido e líquido foram arremessados contra o local.
Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, o ataque foi feito em resposta a outro ataque americano a uma planta de dessalinização de água em Qeshm. O abastecimento de água de 30 aldeias no país foi afetado pelo primeiro ataque, segundo o governo iraniano.
Ao comentar sobre os ataques, presidente Masoud Pezeshkian acusou os Estados Unidos de incitarem a rivalidade na região. Ele chamou as nações da região de “irmãs” e disse que o Irã não busca conflito com os vizinhos.
Segundo o presidente, os ataques registrados ontem e hoje são retaliações a ofensivas dos EUA. “Quanto mais pressão eles exercerem sobre nós, mais forte será naturalmente nossa resposta”, disse.
Quando somos atacados, não temos outra escolha senão responder.
Masoud Pezeshkian
Pedido de desculpas seguido de ataques
Presidente do Irã afirmou que ia parar de atacar países vizinhos e pediu desculpas pelos bombardeios. Em pronunciamento em rede nacional ontem, Masoud Pezeshkian disse que queria resolver a situação de forma diplomática e que só atacaria se eles atacassem primeiro.
Ele culpou a morte de Khamenei e de outros líderes militares pela “falta de comunicação” quanto aos ataques. Ao longo da semana, Qatar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos interceptaram centenas de mísseis, alguns deles contra áreas com civis, segundo seus próprios governos.
Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também se manifestou e disse que respeita a soberania nacional dos países vizinhos. Fazendo referência direta ao pronunciamento do presidente, o órgão armado afirmou que só vai atacar bases militares e interesses dos Estados Unidos na região “caso as ações hostis continuem”.
Qatar e Emirados Árabes Unidos relataram tentativas de ataques com mísseis e drones após o comunicado do presidente Pezeshkian. Ambos emitiram comunicados pedindo que moradores ficassem em casa por questões de segurança, mas não mencionaram diretamente o Irã nos seus avisos.
Um drone foi interceptado mais cedo perto do aeroporto de Dubai. Ninguém ficou ferido, mas as atividades no terminal aéreo foram suspensas por algumas horas, segundo o governo local.
Também em Dubai, destroços de um drone interceptado atingiram um arranha-céu de luxo e um carro, deixando um morto. O edifício residencial de 88 andares fica na região da marina de Dubai e a pessoa que morreu estava no carro atingido pelos destroços.