Intenção de consumo em famílias do AC segue acima da média nacional

Foto: Jardy Lopes

A disposição das famílias acreanas para consumir apresentou crescimento nos dois primeiros meses do ano, conforme dados da Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quarta-feira (04). Em âmbito nacional, o indicador alcançou 106 pontos, o melhor resultado desde fevereiro do ano passado, com maior concentração entre famílias com renda superior a 10 salários mínimos.


Entre os lares de menor renda, o movimento também foi positivo, especialmente voltado à aquisição de bens duráveis, como geladeiras, fogões e televisores. O cenário foi favorecido pelo desempenho do mercado de trabalho formal, que registrou taxa histórica de ocupação de 5,1% em 2025.


A pesquisa é composta por sete indicadores: situação atual do emprego, renda atual, nível de consumo, perspectiva profissional, expectativa de consumo, acesso ao crédito e momento para aquisição de bens duráveis. No levantamento mais recente, apenas os indicadores de emprego atual e renda atual apresentaram leve retração, ambos com variação negativa de 0,7% no cenário nacional. Os demais registraram desempenho positivo.


No Acre, o índice alcançou 115,8 pontos em fevereiro. Embora o resultado represente uma pequena queda de 0,52% em comparação a janeiro, o patamar permanece elevado e demonstra estabilidade na confiança das famílias. De acordo com análises da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), o avanço tem sido mais perceptível entre famílias com renda de até 10 salários mínimos.


Diferentemente do cenário nacional, o indicador de confiança no emprego atual no Acre apresentou alta, chegando a 123,1 pontos em fevereiro, mantendo estabilidade em relação a janeiro. Já a perspectiva profissional recuou, atingindo 140,7 pontos, mas ainda permanece acima da linha de confiança, fixada em 100 pontos, repetindo o desempenho observado em março do ano anterior.


A renda atual teve redução de 0,3% na comparação mensal, alcançando 124,6 pontos, com queda mais acentuada entre as famílias de maior renda. Ainda assim, o índice segue em nível considerado positivo.


Outro dado relevante é o comportamento das compras a prazo. Em janeiro e fevereiro, os resultados superaram a marca de 100 pontos, 103,6 e 102,5 pontos, respectivamente, os maiores níveis desde fevereiro do ano passado, sinalizando maior disposição das famílias para utilizar crédito.


A expectativa de consumo no estado permanece acima de 139 pontos no acumulado entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o que tem contribuído para o aumento do interesse por produtos duráveis ao longo deste início de ano.


Para o assessor da presidência da Fecomércio-AC, Egídio Garó, o cenário é especialmente relevante para o setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca”, que enfrentava desaceleração nos últimos anos.


“Esses resultados, notadamente os observados nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, apontam para uma intenção de consumo em bens duráveis, especificamente na linha branca, setor que padece, nos últimos anos, pelo resfriamento dos negócios no varejo. Isso é impulsionado pelas condições de emprego atual e renda, acompanhadas da redução da taxa Selic, o que incentiva o consumo com obtenção de crédito. Por fim, é relevante que as famílias acreanas evitem elevar seu grau de endividamento sem o planejamento doméstico executado, de forma a evitar que financiamentos futuros, sejam a curto, médio ou longo prazo, dificultem o cumprimento das obrigações mensais e, consequentemente, a inclusão nos mecanismos de proteção ao crédito”, finalizou.


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