O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 16, a Portaria nº 24, que aprova o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a cultura do feijão em sistema de cultivo irrigado no Acre, referente ao ano-safra 2026/2027.
A medida foi assinada pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Júnior, e estabelece diretrizes técnicas que indicam as regiões aptas ao plantio, além dos períodos mais adequados para a semeadura da cultura no estado, considerando diferentes níveis de risco climático.
De acordo com o documento, o feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) é uma das principais culturas agrícolas do país e tem grande importância na alimentação da população brasileira. O Brasil é apontado como o maior produtor e consumidor mundial do grão, considerado uma das principais fontes de proteína na dieta nacional.
O estudo que embasa o zoneamento leva em conta fatores climáticos que podem influenciar diretamente na produtividade da cultura, como temperatura do ar, disponibilidade de água no solo e ocorrência de chuvas. Segundo o relatório técnico, temperaturas superiores a 35 °C durante o período de floração podem reduzir significativamente o rendimento do feijoeiro, enquanto temperaturas abaixo de 12 °C podem provocar o abortamento das flores.
Outro ponto considerado é a disponibilidade de água para a planta, já que a cultura é mais sensível à falta de umidade principalmente durante a fase de floração e início da formação das vagens. O período crítico ocorre cerca de 15 dias antes da floração, quando o déficit hídrico pode comprometer o desenvolvimento da planta e reduzir a produtividade.
Para elaborar o zoneamento, foram analisadas séries históricas de dados meteorológicos entre os anos de 1992 e 2022. As informações foram coletadas em estações meteorológicas de instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), além de outras redes de monitoramento climático no país.
Com base nesses dados, o zoneamento define períodos de semeadura classificados de acordo com níveis de risco climático de 20%, 30% e 40%, considerando fatores como possibilidade de queda de produtividade, ocorrência de temperaturas extremas e excesso ou deficiência hídrica durante o ciclo da cultura.
A portaria também estabelece critérios relacionados ao tipo de solo adequado para o cultivo e reforça que práticas de manejo agrícola adequadas são essenciais para garantir o bom desenvolvimento da lavoura. Além disso, para o cultivo irrigado, é necessário assegurar a disponibilidade de água durante todo o ciclo da cultura.
A relação completa dos municípios aptos ao cultivo e os períodos indicados para plantio podem ser consultados pelos produtores por meio do Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SISZARC) e também no Painel de Indicação de Riscos do ZARC, disponibilizados pelo Ministério da Agricultura. As informações também podem ser acessadas por meio do aplicativo Plantio Certo.


