O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), endureceu o discurso nesta quarta-feira (18) ao comentar a saída de deputados de sua base de apoio, que passaram a se alinhar ao pré-candidato ao governo Alan Rick. Em declaração à imprensa antes de agenda oficial em Rio Branco, o chefe do Executivo fez uma cobrança direta por lealdade política e criticou o comportamento de aliados que, segundo ele, se beneficiaram da gestão e agora se afastam no momento eleitoral. Nesta manhã, os deputados Tadeu Hassem (Republicanos) e Eduardo Ribeiro (PSD) anunciaram a retirada do grupo.
“Não dá para passar mais de três anos usufruindo das benfeitorias do governo e, na hora do vamos ver, fugir”, afirmou o governador, em tom de reprovação.
Apesar da crítica, Cameli evitou personalizar ataques e disse respeitar as decisões individuais. “Todo apoio que vem para somar faz falta, mas eu respeito. Cada um está pensando na sua reeleição, na sua estratégia partidária”, declarou.
Ainda assim, o governador fez questão de destacar que não houve falta de apoio institucional por parte do Executivo aos parlamentares que deixaram a base. Segundo ele, todos foram contemplados ao longo da gestão. “Quem saiu, saiu porque quis. Não foi expulso. E não foi por falta de apoio. Qual foi o governo que garantiu mais de R$ 5 milhões em emendas para cada deputado? Todos foram atendidos”, disse.
Nos bastidores, a movimentação de deputados ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026, com disputas por espaço em chapas e definição de alianças. Cameli confirmou que propostas como a formação de um “chapão” chegaram a ser discutidas, mas afirmou que serviram apenas para testar o ambiente político. “Foi uma proposta para ver a reação. Mas quem entra em uma eleição tem que entrar para ganhar, não para escolher o caminho mais fácil”, pontuou.
No campo administrativo, o governador sinalizou que a saída de aliados pode ter reflexos pontuais na estrutura do governo. Cameli citou o pedido de exoneração da ex-prefeita Fernanda Hassem como exemplo de movimentação já em curso, destacando que a decisão partiu da própria gestora e foi acatada pelo Executivo. Ainda assim, deixou claro que outras mudanças podem ocorrer: “alguns vão ter que refletir”, afirmou, ao indicar que cargos ocupados por indicados de parlamentares que deixaram a base poderão ser reavaliados nos próximos dias.
Mesmo diante da debandada, o governador afirmou que o governo seguirá trabalhando para manter a maioria na Assembleia Legislativa e não indicou retaliações diretas, embora tenha sinalizado que mudanças podem ocorrer de forma pontual. “Alguns vão ter que refletir. Cada um siga sua consciência, porque a minha é o meu guia”, concluiu.