Cinco dias antes do BC (Banco Central) impedir que o BRB (Banco de Brasília), controlado pelo governo do Distrito Federal, comprasse o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro relatou à namorada, no dia 29 de setembro de 2025, que estava “em Brasília com o governador” discutindo “uma estratégia de guerra”.
“A partir de segunda iremos para o ataque”, disse o banqueiro para a namorada, sem citar nominalmente o nome de Ibaneis Rocha (MDB), governador do DF.
Na época, Vorcaro tentava viabilizar a venda do Master para o BRB. Porém, o BC vetou a negociação no dia 3 de setembro do ano passado. No mesmo dia, o banco estatal comentou a decisão afirmando que considerava a aquisição como “estratégica”.
As mensagens foram obtidas pela PF (Polícia Federal) por meio da quebra de sigilo e compartilhadas com a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal).
Questionado sobre a conversa, Ibaneis disse à CNN que todos os encontros que teve com Vorcaro foram “pontuais e rápidos”. Ele afirmou que todas as tratativas relacionadas ao banco foram feitas pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
“Nessa operação eu só dei o apoio político após ser convencido pelo Paulo Henrique, que tinha demonstrado ao longo de anos ser um grande executivo, que a operação era favorável ao BRB e colocaria o banco como o sexto do país”, alegou.
“Nunca tratei de estratégia nenhuma, até porque de banco e de mercado financeiro eu não entendo nada”, acrescentou o governador.
Em depoimento à PF em dezembro, Vorcaro disse que conversou “em algumas poucas oportunidades” com o governador do Distrito Federal sobre a proposta de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Na ocasião, Vorcaro relatou que já visitou a casa de Ibaneis Rocha e que o político também teria visitado sua residência para “conversas institucionais” entre os dois.

