O dólar fechou a segunda-feira praticamente estável ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas de emergentes, em meio à continuação da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Qual a cotação do dólar hoje?
O dólar à vista fechou em alta de 0,13%, aos R$ 5,2461. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,43%.
Às 17h04, o dólar futuro para abril – o mais líquido no mercado brasileiro – subia 0,23% na B3, aos R$5,2540.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,247
- Venda: R$ 5,248
O que aconteceu com o dólar hoje?
As atenções dos investidores nesta segunda-feira seguiram voltadas principalmente para o exterior. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações para encerrar o conflito, mas reiterou aviso para que o Irã abra o Estreito de Ormuz, sob pena de sofrer ataques a seus poços de petróleo e suas usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao país.
Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e lançou mais mísseis contra Israel.
Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir, aproximando-se dos US$114 o barril durante a tarde, e o dólar sustentou ganhos ante divisas de emergentes como o peso chileno e o rand sul-africano.
Em relação ao real, porém, o movimento foi mais acomodado durante a maior parte do dia, com o dólar variando entre a cotação mínima de R$5,2265 (-0,24%) às 9h59 e a máxima de R$5,2679 (+0,55%) às 16h27, para depois se reaproximar da estabilidade.
Segundo Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, o real está “bem-posicionado em relação a outras moedas, visto que temos grandes empresas (com peso alto no Ibovespa) que se beneficiam da alta de commodities, bem como nosso juro real acima da média do mercado global”.
Sobre este ponto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou pela manhã que os choques de oferta, como o observado neste momento com o conflito no Irã, provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo. No entanto, ele defendeu que a instituição tenha cautela ao incorporar o impacto da guerra a seus cenários.
“O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária”, disse.
Atualmente, o mercado está dividido sobre o que o BC anunciará em abril: novo corte de 25 pontos-base da Selic, manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano ou redução de 50 pontos-base.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
No exterior, às 17h12 o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,20%, a 100,510.


