Após abrir em leve baixa, o dólar fechou com fortes perdas ante o real nesta segunda-feira (23), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar ataques contra usinas de energia do Irã e citar negociações com o país.
Qual a cotação do dólar hoje?
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 1,33%, aos R$ 5,2418.
Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — caía 0,88% na B3, aos R$ 5,250.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,240
- Venda: R$ 5,240
O que aconteceu com o dólar hoje?
Pela manhã, Trump afirmou que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia iranianas por cinco dias, além de citar conversas “muito boas e produtivas” entre os países.
Durante o dia, ele reforçou a possibilidade de um acordo. “Com o Irã, estamos negociando há muito tempo e, desta vez, eles estão falando sério”, disse.
Do lado de Teerã, no entanto, a agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, afirmou que não há comunicações diretas ou indiretas com os EUA.
“O mercado está analisando isso e dizendo que talvez parte do perigo de curto prazo no setor de energia esteja diminuindo, porque eles não bombardearão a infraestrutura um do outro nos próximos dias”, disse Steven Englander, chefe de pesquisa global de câmbio do G10 e estratégia macro da América do Norte no Standard Chartered.
“Todos os movimentos são consistentes com o fato de que os mercados estão começando a farejar um pico no medo da guerra do Irã, mas ainda é muito cedo para dizer”, disse Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da Brown Brothers Harriman, em Londres.
Ele disse que ainda não está claro se as conversações têm apenas a intenção de acalmar os mercados ou se são um desanuviamento genuíno.
Apesar do escorregão desta segunda, a moeda norte-americana ainda acumula ganhos de 2,08 frente ao real em março, após queda de 2,16% em fevereiro. No ano, as perdas são de 4,52%. O real exibiu no dia o segundo melhor desempenho entre seus principais pares, atrás apenas do peso chileno.
“As declarações do Trump com a suspensão dos ataques de instalações de energia são uma notícia muito positiva, porque reduzem os temores de alta de preços em uma guerra com impacto extremamente inflacionário. Vemos o dólar voltar cedendo depois de ter subido com a busca de investidores por proteção”, afirma o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos.
Operadores afirmam que o ambiente externo mais benigno abriu espaço para desmonte parcial de posições defensivas armadas na véspera do fim de semana, quando havia riscos de um agravamento do conflito no Oriente Médio. Contribuiu também para apoiar a liquidez no mercado local a venda pelo Banco Central de US$ 1,8 bilhão em leilão de linha (venda com compromisso de recompra) da oferta total de US$ 2 bilhões para rolagem do vencimento de 2 de abril.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY voltou a operar abaixo dos 100 000 pontos, com mínima aos 98,880 pontos. No fim do dia, rondava os 99,140 pontos, em queda de cerca de 0,50%. As taxas dos Treasuries recuaram, com destaque para a baixa de mais de 2% dos rendimentos dos papéis de 2 anos, mais ligados a expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)

