O governo da China orientou as maiores refinarias do país a suspenderem as exportações de diesel e gasolina, em meio à interrupção do fluxo de petróleo cru vindo do Golfo Pérsico, uma das maiores regiões produtoras do mundo, devido ao agravamento do conflito na área.
Embora o país seja apenas o terceiro maior fornecedor de derivados de petróleo para a região — seu vasto parque de refino é voltado principalmente ao mercado interno —, as restrições adotadas pela China apenas seis dias após o início da guerra refletem uma corrida na Ásia para priorizar as necessidades domésticas à medida que a crise no Oriente Médio se aprofunda.
Autoridades da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), o principal órgão de planejamento econômico do país, solicitaram a suspensão temporária dos embarques de combustíveis refinados, com início imediato, segundo pessoas a par do assunto. Elas pediram anonimato porque as discussões não são públicas.
Em reunião no início desta semana, as refinarias foram instruídas a parar de assinar novos contratos e a negociar o cancelamento de carregamentos já acertados, disseram essas fontes. Foi aberta exceção para querosene de aviação e bunker (combustível para navios) armazenados em regime de entreposto aduaneiro, além de suprimentos destinados a Hong Kong e Macau, acrescentaram.
PetroChina, Sinopec, CNOOC., Sinochem e a refinaria privada Zhejiang Petrochemical costumam receber do governo cotas para exportação de combustíveis. Nenhuma das cinco respondeu aos pedidos de comentário enviados pela Bloomberg. A NDRC também não respondeu de imediato.
Mesmo em condições normais, a China não permite exportações irrestritas de derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação. O país adota um sistema de cotas sob o qual o Ministério do Comércio seleciona algumas grandes refinarias e tradings.
Petroquímicos — como polietileno, paraxileno e outras matérias-primas químicas — geralmente não se enquadram nesse mesmo teto de cotas vigente para combustíveis.
O regime de cotas atende a vários objetivos. Ele dá a Pequim um mecanismo para equilibrar oferta e demanda internas e permite que o governo responda de forma dinâmica às condições de mercado.
Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022 — evento que também reconfigurou o comércio global de energia —, as autoridades chinesas têm reduzido com frequência as cotas de exportação ou atrasado sua liberação, resultando em embarques menores. Alguns analistas do setor interpretam essas medidas como um esforço para priorizar a estabilidade interna e a segurança energética em um contexto de forte volatilidade geopolítica.
Com praticamente nenhum volume de petróleo ou combustível saindo do Golfo Pérsico desde o início dos ataques dos EUA e de Israel no fim de semana, refinarias do Japão à Indonésia e Índia começaram a reduzir suas taxas de operação e a suspender exportações.
A China vem buscando ativamente diversificar suas fontes de hidrocarbonetos nos últimos anos, mas ainda recebe perto de metade de suas importações de petróleo do Golfo, incluindo praticamente todo o volume embarcado pelo Irã.
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