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Bocalom diz que AC precisa inverter dependência do Bolsa Família

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (20), durante a inauguração do viaduto Mamédio Bittar, que a obra representa um marco para a mobilidade urbana da capital e pode gerar retorno econômico em curto prazo. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao ac24horas.


“Você sabe quanto custa a hora de um trabalhador dentro de um ônibus parado 30 minutos aqui? Sabe quanto custa a hora de 50 trabalhadores dentro de um ônibus parado? Então quando você somar as horas perdidas, quando você somar o combustível que foi gasto, essa obra se paga em um ano. Ela se paga. Então é uma obra que verdadeiramente é sustentável”, disse, ao comentar a liberação do tráfego no local.


Segundo o prefeito, o trecho concentrava um dos principais gargalos viários da cidade. “Há aproximadamente 20 mil veículos passando por aqui durante o dia. Quantos anos isso aqui já é travado? Mesmo à noite o trânsito aqui era enorme, absurdamente caótico. Aqui era ainda muito escuro, e hoje aqui virou um dia, virou uma praça.”


Ao comentar o projeto, Bocalom afirmou que a estrutura vai além da função de mobilidade. “Não conheço em lugar nenhum do Brasil viadutos feitos com essa tamanha qualidade como a gente fez aqui, com a preocupação de fazer uma obra de arte. Não é só um viaduto para passar carro por cima ou por baixo. É também uma obra de arte para as pessoas virem aqui tirar fotografia. Veja só, aqui tem quatro painéis, os quatro painéis representam, retratam a nossa Amazônia e o nosso agronegócio. Então eu acho que é isso, isso aqui conta toda uma história. E o que eu sempre digo: podemos até ser pobres, mas nós somos enjoados”, pontuou.


Bocalom afirmou que a obra começou com recursos próprios do município antes da liberação de verbas federais. “O RP9, que é a emenda que ele colocou aqui, estava travado em Brasília. Mas nós botamos o dinheiro nosso aqui para poder começar a obra. Fizemos mais da metade da obra com recurso da Prefeitura. Depois que veio o dinheiro federal, a gente veio pôr no caixa.”


Ele voltou a elogiar o senador Marcio Bittar, mesmo diante de divergências políticas recentes. Bittar declarou apoio a vice-governadora do Acre, Mailza Assis (Progressistas).


“Ele tem o meu apoio, vai continuar tendo o meu apoio. Porque realmente foi um senador que nos orgulhou em Brasília, um senador que botou dinheiro não só para Rio Branco, mas para o Acre inteiro. Não dá para dizer que está tudo sempre definido. Pode acontecer muita coisa até o período das eleições. Não sei o que vai acontecer, algum fato muito cabuloso para a gente poder se separar, mas não acredito que vai acontecer isso não”, pontuou.


Questionado sobre a ausência do governador Gladson Cameli no evento, o prefeito disse não saber o motivo, mas destacou a relação institucional. “Honestamente eu não sei qual foi o motivo, então eu não posso comentar, mas de qualquer forma a nossa relação tem sido boa. Eu acho que o importante é isso. A gente foi parceirão na eleição de prefeito”, observou.


Ao comentar a situação encontrada ao assumir a prefeitura, Bocalom afirmou que herdou problemas estruturais.


“Quando eu peguei a cidade, parecia que tinha caído uma bomba aqui. É só falar com o taxista. Foi feito muito trabalho. Agora é claro que ninguém resolve o problema sério que tinha em Rio Branco em apenas quatro, cinco anos. Pegamos 58 ruas que foram mal feitas. A Caixa disse: ou o senhor refaz as 58 ruas ou vai ter que devolver 80 milhões. Nós estamos gastando mais de 35 milhões para refazer aquelas obras. Essa prefeitura não tinha máquina. As máquinas começaram a chegar agora. São mais de 80 máquinas. Ontem chegou mais um caminhão tapa-buraco”, pontuou.


O prefeito também destacou ações em educação e saúde. “Rio Branco não tinha vaga para criança de 0 a 2 anos. Eu tive que virar prefeito para abrir vaga de creche para crianças de 0 a 3 anos. Nós teremos agora a maior creche pública do Estado do Acre, padrão internacional”, afirmou.


“Nós contratamos o programa Mente Inovadora, que só 140 prefeituras do Brasil contrataram. Compramos laboratório para cada escola com Chromebook, parceria com a Google Education, compramos robótica alemã. A mesma robótica que uma criança está mexendo na escola na Alemanha, mexe aqui”, acrescentou.


Na parte final da entrevista, Bocalom defendeu o agronegócio como caminho para o desenvolvimento do estado. “É uma questão de tempo para o nosso Acre tirar o pé do lodo, para o nosso Acre largar dessa história de viver mais de Bolsa Família do que de carteira assinada. Nós precisamos inverter esse jogo.Um hectare de café pode dar mais de cem mil reais. Você sabe o que é cem mil reais em um hectare de café? Sabe quanto é um hectare de boi? Seiscentos, oitocentos reais. Então o café dá cem vezes mais”, observou.


“Eu só tenho um objetivo: cuidar melhor do dinheiro público. O nosso Acre é rico, o nosso Acre tem potencial para todo mundo. Eu sonho que todo mundo ganhe e que não fique o dinheiro na mão apenas de meia dúzia. Primeiro Deus, depois saúde, depois dinheiro. Dinheiro não cai do céu, tem que trabalhar”, finalizou.


Assista à entrevista completa:


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