Artigo: Município de Feijó esquece as próprias obrigações e sobrecarrega hospital

Por Rodrigo Prado Santiago, médico e vice-presidente do Sindmed-AC


 


Em 3 de março de 2026, a Comissão de Saúde da ALEAC realizou audiência em Feijó para discutir a demora na reforma do hospital local, alvo de protestos legítimos da população. O Sindicato dos Médicos solidariza-se com os moradores e profissionais, que atuam há anos em condições precárias e desumanas.


A audiência, porém, desviou-se do foco principal e tornou-se palco de ataques infundados, desrespeito, ofensas e desinformação contra médicos, gerência do hospital e até o Ministério Público, acusado de omissão. Ausentes o Sindicato, CRM-AC e médicos, alguns presentes sentiram-se à vontade para criticá-los de forma covarde.


O prefeito apresentou informação equivocada sobre recomendação do MP local, que não proíbe visitas de vereadores, mas apenas orienta que sejam agendadas, respeitando hierarquia, normas sanitárias, privacidade de pacientes e sigilo médico — princípios baseados em lei e jurisprudência do Supremo Tribunal Federqal (STF). Ele e alguns vereadores defendem a entrada irrestrita, sem comunicação prévia, o que gera conflitos, exposição indevida e interrupções no atendimento.


O prefeito admitiu intervir em cerca de 30% das regulações de pacientes (via aérea/terrestre), contatando diretamente pessoas da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) e Serviço Móvel de Urgência (Samu), prática questionável por invadir competência privativa médica. O Sindicato verificará se houve interferência indevida, possível exercício ilegal da medicina ou violação da impessoalidade administrativa.


Vereadores criticaram médicos genericamente (ex.: um técnico de enfermagem disse interpretar raios X), conduta que será denunciada ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren).


Enquanto isso, ignoram falhas graves da gestão municipal: 7 de 17 UBS desativadas, apenas um médico efetivo, ausência de concursos regulares, falta de medicamentos básicos, insumos, esterilização adequada, laboratório municipal e ambulância sanitária própria.


A prefeitura sobrecarrega o hospital com demandas da atenção básica (consultas não urgentes, curativos, exames eletivos, medicamentos), que deveriam ser resolvidas localmente. Só nos últimos 2 meses, médicos do hospital atenderam mais de 1.800 casos não emergenciais, responsabilidade exclusiva do município.


O Sindicato dos Médicos repudiou a postura de prefeito e vereadores por transferir culpas, buscar autopromoção política via redes sociais e desrespeitar profissionais, em vez de assumir suas obrigações no SUS. Se não conseguem gerir a saúde municipal, não seria mais coerente extinguir a Secretaria Municipal de Saúde de Feijó e transferir tudo ao estado?


O Sindicato defenderá a honra dos médicos, cobrará esclarecimentos sobre as condutas relatadas e reforça que melhorias do Sistema Único de Saúde (SUS) dependem do cumprimento responsável de cada esfera no sistema de saúde, sem cortinas de fumaça nem ataques pessoais.


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