Acre está entre 4 estados do Brasil que garantem apoio pedagógico a alunos com deficiência nas escolas

Joaquim Cabral da Silva, de 13 anos, estudante da Escola Padre Carlos Casavechia, conta com o apoio da mediadora Diana da Costa para acompanhar as atividades escolares. Foto: Mardilson Gomes/SEE

O Acre está entre os poucos estados brasileiros que garantem a presença de profissionais de apoio escolar para estudantes na condição de pessoas com deficiência (PcD) e com transtorno do espectro autista (TEA) nas escolas, públicas e particulares, de todos os níveis de ensino e em todas as cidades. Também o Distrito Federal, Goiás e Roraima alcançam esse nível de cobertura no país.


Trabalho de mediação pedagógica ajuda estudantes com deficiência e autismo a acompanhar as aulas e desenvolver autonomia na escola. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Os dados são do Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) no fim de fevereiro. O levantamento revela que, no Brasil, 1.144 das 5.571 cidades (20,5%) ainda possuem escolas sem esse tipo de profissional, essencial para garantir a inclusão educacional.


A legislação nacional prevê esse suporte. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei do Autismo (Lei nº 12.764/2012) determinam que estudantes que necessitem de apoio tenham acesso a profissionais que auxiliem em atividades como alimentação, higiene, locomoção, comunicação e interação social, em todos os níveis e modalidades de ensino.


Rede estadual do Acre reforçou a educação inclusiva com a contratação de 737 profissionais efetivos da Educação Especial. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência e cerca de 2,4 milhões de autistas, o que reforça a importância de políticas públicas voltadas à inclusão educacional.


Investimento histórico na educação especial

Em 2026, o Acre deu um passo histórico, ao contratar 737 profissionais efetivos para atender à demanda da Educação Especial na rede estadual de ensino. A medida fortalece a estrutura de apoio nas escolas e amplia o atendimento a estudantes que necessitam de acompanhamento especializado.


O diferencial da política acreana está também no perfil desses profissionais. Enquanto muitos estados recorrem a estagiários ou trabalhadores de nível médio, o Acre optou por professores da educação especial, que atuam na mediação pedagógica na sala de aula.


“Profissionais da Educação Especial atuam nas escolas promovendo acessibilidade e garantindo que todos os alunos tenham acesso ao currículo”, diz Hadhianne. Foto: Mardilson Gomes/SEE

A chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), Hadhianne Peres, explica que o trabalho desses profissionais é voltado à promoção da acessibilidade dentro do ambiente escolar.


“A educação especial é promotora de acessibilidade. Nós trabalhamos para garantir acesso ao currículo, aos métodos, aos conteúdos e aos espaços. Cada aluno recebe o suporte de acordo com sua necessidade”, destaca.


Segundo a gestora, antes de definir o atendimento, cada estudante passa por um estudo de caso pedagógico, que identifica potencialidades e barreiras enfrentadas no processo de aprendizagem. A partir desse diagnóstico, são definidos os tipos de suporte, que podem incluir professor mediador em sala, atendimento em sala de recursos ou acompanhamento individualizado.


Inclusão que transforma vidas

Na prática, o impacto dessa política pode ser visto na rotina de alunos como Joaquim Cabral da Silva, de 13 anos, estudante do 6º ano da Escola Padre Carlos Casavechia, em Rio Branco.


Diagnosticado com autismo grau de suporte 1, Joaquim conta com o acompanhamento da mediadora Diana da Costa. Com o apoio a profissional, o estudante conseguiu superar dificuldades na leitura e na escrita.


Joaquim Cabral da Silva, de 13 anos, estudante da Escola Padre Carlos Casavechia, conta com o apoio da mediadora Diana da Costa para acompanhar as atividades escolares. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Eu gosto muito da escola. Tem professores incríveis e eu me surpreendo cada dia. Com a ajuda da Diana, melhorei muito. Antes eu tinha dificuldade com a letra cursiva, para escrever e ler. Agora estou conseguindo”, relata o aluno.


Curioso e participativo, Joaquim diz que o maior desafio é manter a atenção durante as aulas, já que costuma se empolgar com diferentes assuntos. “Às vezes eu começo a pensar em muitas coisas e isso pode tirar um pouco da minha atenção. Mas cada dia eu estou superando meus limites e prestando mais atenção nas aulas”, afirma.


No Acre, a Educação Especial atua em parceria com professores da turma para garantir acesso ao conteúdo e à aprendizagem. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Joaquim também demonstra gratidão pela mediadora que o acompanha no dia a dia escolar. “A Diana é uma pessoa incrível. Sempre que eu preciso, ela me ajuda. Eu fico muito agradecido por ter ela ao meu lado”, diz.


Mediação com olhar humano

Para Diana da Costa, ser mediadora exige dedicação constante. Mais do que apoiar o aprendizado, o trabalho envolve acolhimento, escuta e adaptação das estratégias pedagógicas.


“É um desafio diário. A gente está sempre estudando, se capacitando e buscando novas formas de ajudar os alunos a compreender o conteúdo”, explica. E ressalta que o mediador não substitui o professor da turma, mas atua em parceria para adaptar o conteúdo e garantir que o estudante consiga acompanhar as atividades.


Mediadora Diana da Costa atua em parceria com professores e família para adaptar atividades e apoiar o desenvolvimento dos alunos. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“No caso do Joaquim, por exemplo, trabalhamos muito a questão da leitura e da caligrafia. Foi um trabalho conjunto com a família e com a professora de português. Hoje ele evoluiu bastante”, conta.


Segundo Diana, o objetivo principal da mediação é promover autonomia e inclusão social: “A gente trabalha para que esses alunos tenham ferramentas para viver em sociedade, estudar, trabalhar e serem independentes”.


Crescimento da educação inclusiva

O número de estudantes identificados com autismo na rede de ensino tem aumentado significativamente. De acordo com Hadhianne Peres, houve um crescimento superior a 600% nos diagnósticos registrados na rede nos últimos anos. Esse aumento está relacionado ao maior acesso ao diagnóstico e à ampliação das políticas públicas voltadas às pessoas neurodivergentes.


Presença de profissionais de apoio nas escolas contribui para o desenvolvimento escolar e social dos estudantes. Foto: Mardilson Gomes/SEE

No Acre, o percentual de estudantes com algum tipo de deficiência também cresceu. Em 2024, cerca de 8% dos alunos da rede apresentavam alguma deficiência. Já o Censo Escolar de 2025 apontou 10%.


Sonhos para o futuro

Entre livros, atividades e conversas em sala de aula, Joaquim também já pensa no futuro. Ele sonha em concluir os estudos, ter um bom emprego e ajudar a sociedade: “Eu quero me formar e ajudar as pessoas. Quero ajudar principalmente o Acre, que é um lugar pequeno, mas que pode evoluir cada vez mais”.


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