Base da economia rural acreana, a agricultura familiar encontra no cacau e no cupuaçu importantes aliados para a geração de renda e a promoção da sustentabilidade. Muito além do sabor e da tradição, essas culturas representam desenvolvimento e desempenham papel estratégico na manutenção de sistemas produtivos compatíveis com a conservação ambiental e a segurança alimentar.
Nesse cenário de fortalecimento da agricultura sustentável e diversificação produtiva, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), tem como meta estimular o plantio de cacau em todo o estado. Desde a região do Alto Acre, passando pelo Baixo Acre e seguindo até o Vale do Juruá, ao longo da BR-364, essas áreas estão no radar de técnicos e extensionistas que orientam o manejo da cultura.
Para assegurar que esse potencial produtivo não seja comprometido, a atuação preventiva do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) torna-se indispensável para garantir a sanidade das lavouras e a estabilidade da produção. Doenças de alto potencial destrutivo, como a monilíase, representam uma ameaça concreta às cadeias produtivas do cacau e do cupuaçu, exigindo vigilância constante e ações coordenadas por parte do poder público e dos produtores rurais.
O enfrentamento da monilíase, praga quarentenária que ameaça essas culturas, exige mais do que ações isoladas: demanda união, responsabilidade compartilhada e trabalho coletivo. A contenção da doença só é possível quando produtores, técnicos e o poder público atuam de forma integrada e coordenada.

Cada elo dessa rede tem um papel fundamental: o produtor, ao adotar práticas adequadas de manejo e comunicar suspeitas da doença; os técnicos, ao orientar, monitorar e realizar inspeções constantes; e os órgãos oficiais, ao planejar e executar ações de vigilância fitossanitária, fiscalização e educação sanitária. Quando essas frentes caminham juntas, o risco de disseminação da monilíase é significativamente reduzido, cenário que vem sendo observado no estado.
O Acre, por ter sido o primeiro estado brasileiro a registrar oficialmente a ocorrência da monilíase, assumiu protagonismo no enfrentamento da doença, adotando medidas emergenciais e fortalecendo a vigilância vegetal. Em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Idaf mantém um trabalho contínuo baseado na detecção precoce, no manejo adequado das áreas afetadas e na educação sanitária.

Ações como a força-tarefa, executada de forma estratégica, têm se mostrado eficazes nesse combate. Equipes técnicas do instituto realizam inspeções detalhadas em propriedades rurais, áreas periurbanas e quintais produtivos. Além da prospecção fitossanitária, são realizadas podas sanitárias em plantas hospedeiras com suspeita de contaminação, com a eliminação adequada de frutos e galhos doentes, reduzindo as fontes de disseminação do fungo.
“Ao remover ramos, folhas e frutos doentes, a poda sanitária elimina tecidos infectados que servem de abrigo e multiplicação para o fungo. A prática também provoca um retardo temporário na frutificação dessas plantas, diminuindo significativamente a quantidade de inóculo presente na área e reduzindo a disseminação da doença para outras plantas e novas brotações. Por isso, é fundamental que o produtor compreenda a importância da poda sanitária”, explica o coordenador do Programa Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação da Monilíase, Ramiro Albuquerque.

Segundo dados oficiais do Idaf, o trabalho de inspeção fitossanitária realizado nas áreas de ocorrência nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima demonstra que a atuação do órgão tem sido cada vez mais necessária, evitando a propagação da doença para outras regionais e ganhando destaque em congressos e eventos nacionais voltados à produção de cacau e cupuaçu.
Só em 2025, mesmo com o registro de 148 novos casos de monilíase, o trabalho da equipe em campo resultou na realização de 4.639 podas sanitárias, além da coleta e do descarte adequado de frutos em aterro sanitário, totalizando 29.834 frutos contaminados, o que demonstra o comprometimento do órgão no enfrentamento da praga.

Outra ação importante na contenção da monilíase é a barreira fitossanitária na BR-364, localizada no Posto de Fiscalização Agropecuária do Rio Liberdade, que permanece ativa diariamente, realizando a fiscalização do trânsito de veículos para evitar a saída de materiais vegetais possivelmente contaminados para áreas livres da praga, especialmente aqueles com potencial de disseminação da monilíase.
“O trabalho coletivo diário deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade estratégica. Monitorar, inspecionar e realizar educação sanitária junto aos produtores, estudantes e à comunidade em geral tem contribuído para o avanço positivo na contenção da doença. Nosso trabalho em campo, na linha de frente, assegura a sustentabilidade da agricultura, e os dados comprovam isso.”


