A vazante do rio Acre em Rio Branco abriu um cenário de alívio após dias de transbordamento, mas a Defesa Civil Municipal alerta que a descida rápida do nível pode trazer novos riscos para a capital. Em entrevista ao ac24horas Play, na manhã desta quinta-feira (5), o tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador municipal da Defesa Civil, afirmou que o rio está recuando com velocidade acima de 6 centímetros por hora, o que pode intensificar processos de erosão e provocar desmoronamentos em áreas sensíveis.
“É um novo cenário, um cenário um pouco de alívio, mas também não é um cenário também tão bom, digamos assim, porque agora nós enfrentamos outros riscos”, declarou Falcão. Segundo ele, o recuo acelerado das águas aumenta a possibilidade de desbarrancamentos, principalmente em regiões onde o solo permanece encharcado e instável após a cheia.
Além disso, o coordenador explicou que a vazante rápida faz com que as áreas mais baixas, antes inundadas, sequem em pouco tempo, deixando ruas e terrenos cobertos por lama e resíduos. Para ele, o município precisa agir imediatamente para evitar agravamento das condições sanitárias. “A Prefeitura de Rio Branco, através da Secretaria de Cuidado com a Cidade, precisa entrar imediatamente com a limpeza para poder restabelecer o cenário”, disse.

Foto: David Medeiros
A Defesa Civil estima que, até o final de semana, o rio Acre possa atingir entre 11 e 10 metros em Rio Branco. O patamar é considerado pela coordenação como uma “cota de segurança”, necessária para que seja possível avaliar o retorno de famílias que precisaram deixar suas casas durante a cheia. “Que é a nossa cota de segurança para poder pensar em levar famílias de volta para casa”, afirmou.
Apesar da tendência de queda, a previsão para fevereiro mantém o alerta. Segundo Falcão, a expectativa é de um dos meses mais chuvosos do ano, com acumulado estimado em 300,1 milímetros. Ele destacou que já há registro de chuvas no início do mês, tanto na capital quanto nas cabeceiras do rio, o que influencia diretamente o comportamento do nível em Rio Branco.

Foto: David Medeiros
O coordenador citou como exemplo a chuva registrada nas últimas 24 horas em Brasileia, que ultrapassou 64 milímetros. De acordo com ele, o volume já provocou elevação em pontos como o riozinho do Rola e o Espalha, com reflexos no sistema do rio Acre.
O cenário atual ocorre após a cheia registrada na quarta-feira (4), quando o manancial iniciou uma vazante contínua ao longo do dia, saindo da condição de transbordo. Segundo boletim da Defesa Civil Municipal, o nível caiu de 14,46 metros às 5h19 para 13,51 metros à meia-noite, aproximando-se novamente da cota de alerta, estabelecida em 13,50 metros.
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