Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expressaram forte descontentamento com a ação da Polícia Federal por investigar o ministro Dias Toffoli sem autorização prévia da Corte. A informação foi obtida pelo analista de política Teo Cury, que revelou que o incômodo foi manifestado abertamente durante uma reunião no STF.
Segundo a apuração, os magistrados consideraram que a Polícia Federal acabou concentrando suas investigações especificamente em Toffoli ao focar apenas nas informações relacionadas ao ministro. Isso foi interpretado como uma estratégia para que ele se afastasse da relatoria do caso. “A Polícia Federal não pode investigar um ministro do Supremo sem autorização do STF”, teria sido um dos pontos levantados durante o encontro.
Decisão unânime e saída de Toffoli
Apesar da resistência inicial, Toffoli acabou concordando em abrir mão da relatoria do caso. A decisão foi tomada em consenso após os ministros o convencerem de que seria melhor para sua imagem pessoal e para a imagem institucional do Supremo. A saída foi oficializada “a pedido”, conforme constou na nota divulgada pelo tribunal, que justificou a decisão considerando “o bom andamento dos processos e os altos interesses institucionais”.
Um aspecto importante destacado na reunião foi a preocupação com a unidade da Corte. Os ministros reconheceram a “plena validade dos atos praticados por Toffoli”, expressaram apoio pessoal ao colega e afirmaram a “inexistência de suspeição ou de impedimento“. Essa postura unânime foi considerada uma vitória, especialmente em um momento de fragilidade institucional e de possíveis ofensivas contra o Supremo.
Pressões internas e externas
“O que teria determinado a decisão de Toffoli foram as pressões tanto internas quanto externas. Havia um descontentamento entre os próprios ministros do STF, que já vinham reclamando nos bastidores sobre algumas decisões tomadas pelo magistrado. Além disso, a repercussão pública do caso também pesou significativamente”, explicou Teo.
A situação teve origem quando a Polícia Federal apreendeu o celular de Daniel Vorcaro, protagonista da investigação, e encontrou mensagens que indicavam proximidade com o ministro Toffoli. A forma como a PF conduziu o caso, apresentando um relatório policial com foco nas conexões do ministro, foi vista pelos magistrados como uma investigação indevida, já que qualquer apuração envolvendo um ministro do Supremo necessita de autorização prévia da própria Corte.


