A pesquisa do Instituto Ideia divulgada na quinta-feira (19) mostrou que 61,1% dos evangélicos acreditam que houve ofensa ou preconceito em uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carnaval do Rio de Janeiro. O setor em questão retratava famílias em latas de conserva.
Entre os entrevistados, 34,3% classificaram o desfile como uma “ofensa à liberdade religiosa”, enquanto 26,8% disseram que se tratou de uma “representação preconceituosa”.
Em contrapartida, 11% chamaram a ala de “crítica artística legítima” e 8,7% a classificaram como “sátira aceitável”. Outros 19,2% não souberam ou não quiseram opinar.
O levantamento também perguntou se os evangélicos chegaram a assistir ao desfile. Do total, 45,9% disseram que apenas viram notícias e postagens sobre o assunto; 23,9% afirmaram não ter visto nem ouvido falar; 19,1% disseram ter visto o desfile ou vídeos posteriormente; e 11,1% não assistiram, mas ouviram falar do caso.
Polarização
Outro ponto abordado pela pesquisa foi o impacto da apresentação na polarização religiosa e política. Para 21,2% dos entrevistados, esse tipo de representação ajuda a normalizar a discriminação simbólica. Outros 20,7% entendem que ela provoca reflexão crítica; 17,5% avaliam que amplia o debate público; e 13,4% dizem que não gera impacto relevante.
O Ideia também questionou como os entrevistados acreditam que seria a reação pública caso outro grupo religioso tivesse sido retratado da mesma forma. Para 35,1%, a reação seria mais intensa; 29,3% acham que seria igual; 14,8% dizem que seria menos intensa; e 20,9% não souberam ou não opinaram.
Todos os ouvidos pela pesquisa se declaram evangélicos ou protestantes. Foram 656 entrevistados por meio de recrutamento digital no dia 18 de fevereiro. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Desfile de polêmicas
A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do carnaval carioca este ano, após ter vencido a Série Ouro em 2025. A escola, porém, já foi rebaixada e voltará ao grupo de acesso em 2027.
A agremiação homenageou Lula com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e enfrentou polêmicas desde o anúncio do tema. A ala “família em conserva” virou alvo de uma ação da OAB-RJ por suposto preconceito religioso.
Antes mesmo do desfile, opositores do presidente já haviam apresentado críticas e tentativas de intervenção judicial, alegando que a homenagem configuraria propaganda eleitoral antecipada.


