A morte do comerciante e farmacêutico Osmar Girardi, ocorrida nesta sexta-feira, 06, em Rio Branco, provocou forte comoção entre familiares, amigos e moradores do Conjunto Universitário, bairro onde ele construiu uma trajetória marcada pelo atendimento humanizado e pelo vínculo com a comunidade. Proprietário da tradicional Drogaria do Universitário, Osmar era considerado por muitos clientes como uma referência de cuidado, confiança e solidariedade. Ele morreu internado no Hospital do Santa Juliana.
Em entrevista ao repórter do ac24horas Play, Whidy Melo, o filho Lucas Vinícius Girardi explicou as circunstâncias que levaram à internação e à morte do pai, relatando o agravamento do quadro de saúde durante o tratamento hospitalar.
“Então, ele estava tratando de uma ferida e ele tinha diabetes, aí a ferida foi se agravando, não foi cicatrizando e a gente decidiu levar ao hospital, internar, para cicatrizar, ter uma recuperação melhor, antibióticos melhores e, enquanto ele estava internado, ele adquiriu uma pneumonia leve, mas aí foi tratada, porém descobriram dentro do hospital que ele estava com uma sepse, com a infecção generalizada. Aí, desde então que ele descobriu isso, começaram antibióticos fortes e a infecção não tinha sido controlada, até dois dias atrás, que a gente teve a notícia que estava mais controlada e a gente teve até uma esperança, né?”, pontuou.
Segundo Lucas, Osmar permaneceu internado por cerca de três semanas e chegou a apresentar melhora nos últimos dias. “Ele ficou internado aí três semanas e, dois dias atrás, ele teve uma melhora, falou com a gente, aí ficava chamando o nome da gente, pedindo para ir buscar ele, que ele gostava muito dessa drogaria aqui, a vida dele e, quando foi hoje pela manhã, às cinco horas da manhã, a minha mãe recebeu a notícia, né? Que estava com a infecção e, junto com ele, ela recebeu a notícia que ele não resistiu, que a infecção, infelizmente, levou ele a óbito”, ressaltou.
Natural de Palotina, no Paraná, Osmar Girardi chegou ao Acre em 1983, inicialmente com a intenção de permanecer apenas alguns meses no estado. “Então, meu pai chegou aqui no Acre em 1983. Ele é natural de Palotina, Paraná, aí ele chegou aqui em 1983, já trabalhava em farmácia lá em Palotina e ele veio com a proposta para cá para passar seis meses aqui e, caso não desse certo, ele voltaria com a passagem de volta toda paga pelos ex-patrões dele”, destacou.

Lucas relembrou que, apesar do receio inicial, o pai decidiu permanecer no estado e construiu sua história no bairro Universitário. “Os patrões dele do Paraná apoiaram ele imensamente para ele vir pra cá e ele veio com um pouco de receio pra cá, que naquela época, né? Em 1980, o pessoal falava que aqui no Acre só tinha mato e onça, aí ele veio com um pouco de receio pra cá, mas, então, quando ele chegou aqui, logo começou a trabalhar, trabalhou na estação, na Droga Z e em outra drogaria agora, que eu não vou me recordar, mas ele sempre foi assim, sempre gostou de trabalhar, trabalhava desde novo”, observou.
A Drogaria do Universitário foi fundada por Osmar em 1988, no início da ocupação do bairro, onde ele também foi um dos primeiros moradores. “Ele deixa uma história aqui no Universitário porque ele fundou a farmácia aqui em 1988. Ele foi um dos primeiros moradores do Universitário. O primeiro morador foi ele e mais dois outros vizinhos deles que não estão mais aqui, mas ele foi um dos três primeiros moradores aqui e fundou a farmácia em 1988 e seguiu até hoje”, pontuou.
Questionado sobre o que tornava Osmar uma figura tão central na comunidade, Lucas destacou o modo como o pai se relacionava com os clientes. “Então, meu pai sempre gostou de tratar muito bem as pessoas. O que as pessoas sempre falam quando entram aqui e procuram ele é porque gostam do atendimento dele. O que ele fala, ele brinca, ele procura ajudar a pessoa a resolver o problema dela, a solucionar o problema dela sem estar precisando ir. O pessoal fala que prefere vir aqui do que ir no hospital porque o pai ele sempre gostou de atender o cliente da forma que ele conseguisse resolver o problema e voltasse aqui pra falar, fiquei bom só com o que o meu pai me passou”, salientou.
Lucas também ressaltou o compromisso do pai com a população mais carente. “E fora que também ele gostava de ajudar a população quando era uma população muito carente. Aqui ele atendia do cliente mais alto, o escalão, até o cliente que não tinha dinheiro pra comprar o remédio. Ele sempre ajudou as pessoas que não tinham condições. Às vezes a pessoa vinha aqui e não tinha o dinheiro todo do remédio, ele falava, não, você me dá esse dinheiro aqui e quando for possível você vem aqui e me paga. Isso que ajudou muito a criar esse vínculo, esse elo com a nossa população aqui porque ele gostava muito de dizer que a palavra dele valia ouro”, observou.
Sobre o futuro da drogaria, Lucas garantiu que o legado do pai será mantido. “Com toda certeza. Isso aqui é o legado do meu pai e se Deus permitir, eu vou transferir esse legado pros netos deles e pros filhos dos netos dele e vai ser um legado histórico. Essa farmácia aqui não vai morrer. Essa farmácia aqui vai existir, o nome dele vai sempre existir”, acrescentou.
Clientes antigos também prestaram homenagens. Cláudio Dias, frequentador da drogaria há quase quatro décadas, destacou a relação de proximidade construída com Osmar. “É uma perda muito grande pra nós aqui, da nossa quarta regional, que, mais ou menos, é como um irmão, né? Eu conheço ele há 38 anos já, sempre cliente dele. Era um cara que era muito irmão e um cara que vai fazer muita falta, muita falta mesmo. Era um irmão, não era um vendedor de farmácia, era tipo um médico mesmo da família da nossa quarta regional. Era um cara que aprendia todo mundo bem e vai ser uma falta muito grande pra nós aqui. Mas só Deus pode confortar, né? Ele vai confortar a família dele todinha, os meninos que vão estar aí”, destacou.

Já a cliente Ivanete Vittale destacou a importância de Osmar para o cuidado cotidiano da comunidade.“É uma grande perca pra todos nós da comunidade, né? Porque se sentindo mal, a gente procurava pelo seu Osmar, né? É muito difícil, né? Pra falar dele, uma pessoa… Pra nós era um médico aqui, um grande farmacêutico, né? E a gente sempre procurava por ele, né? É uma grande perda”, afirmou.
O velório de Osmar Girardi ocorre na igreja São Judas Tadeu, no Conjunto Universitário. O horário e o local do sepultamento ainda serão definidos pela família.
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