Esposa de Ramagem falta a perícias e terá que justificar ausência, diz PGE de Roraima

Rebeca e Alexandre Ramagem, deputado foragido nos Estados Unidos. Foto: Reprodução / Instagram

A Procuradoria-Geral do Estado de Roraima não reconheceu o atestado médico de 60 dias enviado pela servidora Rebeca Ramagem, esposa de Alexandre Ramagem, que venceu nesta sexta-feira (20). A PGE-RR alega que a procuradora faltou a duas perícias presenciais agendadas para a validação da licença.


Rebeca Ramagem, que acompanha o marido foragido nos Estados Unidos desde novembro, tentou solicitar que a perícia ocorresse em modelo remoto, mas teve o pedido negado. Sem o comparecimento presencial, ela não obteve a aprovação e não foi formalmente afastada das suas funções, o que gerou uma apuração administrativa interna sobre o acúmulo de ausências.


Na quinta-feira (19), a procuradora também teve seu retorno ao trabalho presencial decretado pelo Procurador-Geral do estado, Tyrone Mourão. O episódio foi taxado por Rebeca como “perseguição política”.


Em resposta ao afastamento negado, a esposa de Ramagem solicitou a execução de 78 dias de férias acumulados, a começar a partir desta sexta-feira.


Divergências sobre o trabalho remoto

A PGR-RR também respondeu às acusações feitas por Rebeca sobre perseguição política por exigir seu retorno ao trabalho presencial. Em nota enviada à CNN, a Procuradoria afirmou que a servidora não exerce teletrabalho desde agosto de 2020, apesar de ter declarado que atua remotamente desde 2016.


Outro ponto levantado pelo órgão é que Rebeca Ramagem solicitou a remoção definitiva para a Coordenadoria da PGE em Brasília, unidade em que não havia a opção de teletrabalho, portanto, não haveria como a PGE suspender uma modalidade que já não estava vigente.


O afastamento

Rebeca Ramagem está afastada do trabalho desde o dia 17 de novembro de 2025, quando solicitou férias até o dia 28 do mesmo mês, momento em que viajou para Miami com as filhas para estar ao lado de seu marido, o ex-deputado Alexandre Ramagem, foragido após ter sido condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista.


No dia 23 do mesmo mês, ela solicitou a extensão das férias até 19 de dezembro. Em 22 de dezembro, a procuradora Estado apresentou um atestado de 60 dias solicitando licença médica, alegando “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” sofridos por ela e por sua família nos últimos meses com o desenrolar dos julgamentos contra o seu marido. O pedido foi negado nesta sexta-feira (20) pelo não comparecimento às perícias.


A mulher de Ramagem recebia mensalmente um salário bruto de R$ 46 mil, mas teve o pagamento suspenso e as contas bloqueadas em 12 de dezembro por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.


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