O aumento do nível do Rio Acre mantém a população de Rio Branco em alerta, com dezenas de famílias abrigadas no Parque de Exposições. Em entrevista ao ac24horas nesta segunda-feira (2), o tenente-coronel Cláudio Falcão e o responsável pela assistência social, Ivan Ferreira, detalharam a situação no local e as ações de monitoramento e atendimento.
Segundo o tenente-coronel Cláudio Falcão, a possibilidade de temporais e chuvas fortes no estado é real. “Totalmente possível, inclusive esse alerta do Inmet também emitido, nós temos no dia de hoje especificamente não temos essa possibilidade, mas nós teremos futuro, nós estamos no mês de fevereiro e daqui a pouco também estaremos no mês de março, são meses que chovem muito, que tem tempestade, que tem temporais, que tem um grande volume de água, então a qualquer momento desses dias pode acontecer sim temporais e pancadas de água”, afirmou.

Foto: David Medeiros
O oficial explicou que o nível do Rio Acre atingiu 15,42 metros nesta manhã, o maior registrado em 2026, com tendência de subida, apesar de a previsão ser de possível retração a partir de amanhã. “A última medição agora feita às 5 horas da manhã, nós estamos com 14 metros e 42, esse é o maior nível que o rio Acre já alcançou em 2026, já ultrapassou aquele último nível que era de 15 e 41, estamos em 15 e 42 com tendência de subida, mas ainda esperamos que no dia de hoje possa se estabilizar e aí a partir de amanhã dia 3 de fevereiro a gente possa ter uma retração, uma possível vazante”, detalhou.
O coronel ressaltou ainda que mais de 30 bairros da capital e 23 comunidades rurais foram atingidos pela cheia. “Estamos com mais de 30 bairros, agora nós vamos fazer mais uma atualização, possivelmente a gente vai passar de 30 para 32 bairros, mas vale lembrar também que a população afetada não é apenas urbana, nós temos mais de 23 comunidades rurais, em 5 delas estamos com embarcações para fazer travessias, aqui na zona urbana nós estamos atendendo a todos, aquelas pessoas que precisam serem retiradas, retiramos e trazemos aqui para o parque, nós tivemos um aumento expressivo do número de famílias que são abrigadas aqui no parque e é assim que nós vamos continuar”, explicou.
Cláudio Falcão também comentou sobre a sinalização e vistoria de pontes na zona rural. “Existe sim, nós temos uma situação muito peculiar, o nosso solo não é sustentável, não é um solo rochoso, é um solo totalmente que se movimenta e lá no Catuaba, como você bem colocou, inclusive nós da Defesa Civil fomos lá, juntamente com a RB Trans, fizemos a sinalização, mas logo após a sinalização, para que não tivesse nenhum tipo de acidente, já houve o transbordamento e aquela ponte nesse momento está submersa, agora nós vamos aguardar a retração das águas para poder averiguar, fazer vistoria em todas as pontes que estão em movimentação, para verificar se agravou ou não agravou, enfim”, salientou.
Ao falar sobre o monitoramento digital do Rio Acre, o coronel destacou que falhas em sistemas eletrônicos foram ajustadas. “Foi totalmente ajustado, nós trabalhamos com o sistema eletrônico e tudo que é eletrônico pode ter algumas falhas e houve sim uma falha, estava em dissonância, mas ninguém fica sem a medição oficial, porque além da nossa parte eletrônica, que é a PCD, Plataforma de Coleta de Dados, nós também temos a régua e qualquer situação que nós temos de discordância, nós fazemos a leitura na régua para poder informar a todos o nível correto. Agora está ajustado, inclusive pode acessar o site De Olho no Rio, é uma câmera de vídeo que é da Defesa Civil colocada pela SDTI que mostra para todos tanto a imagem do Rio quanto a imagem da régua e também o nível que está acontecendo naquele momento”, afirmou.

Foto: David Medeiros
Já Ivan Ferreira, responsável pela assistência social no Parque de Exposições, detalhou o atendimento às famílias abrigadas. “Neste momento aqui no Parque de Exposições nós temos 30 famílias, totalizando 86 pessoas. Dentre elas, nós temos aqui crianças, são mais de 20 crianças, nós temos idosos, pessoas PCD com necessidades especiais e temos também duas grávidas”, disse. Ele acrescentou que há previsão de chegada de mais dez famílias ainda nesta segunda-feira.
O gestor destacou também o trabalho voltado para os animais de estimação das famílias. “Sim, nós temos 19 pets neste momento aqui no Parque de Exposições, um trabalho voltado à equipe da Secretaria Municipal de Saúde. Aproveito a oportunidade para explicar que, quando a família chega aqui, ela liga no 193, vem acompanhada pelo Corpo de Bombeiros e pela equipe da Prefeitura, mas ao chegar aqui a gente faz a triagem, que são os cadastros, vale lembrar que as pessoas que estão aqui neste momento no Parque de Exposição, 80% delas têm programas sociais, que são beneficiárias do programa Bolsa Família”, destacou.
Ivan ainda destacou a assistência alimentar e de saúde. “Seguindo a orientação do Prefeito Bocalom, do Secretário João Marcos Luz, que é trazer os serviços e dar prioridade, até porque as famílias que neste momento estão aqui no Parque são prioridade absoluta, nós estamos aqui servindo o café da manhã, o almoço, o lanche e a janta, fora isso, tem a parte de pessoal, de limpeza, nós temos aqui idosos que tomam mingau, crianças, nós temos aqui um fogão próprio para as pessoas fazerem o mingau das crianças, um leite, então todo o aparato da Prefeitura, neste momento, está voltado aqui no Parque da Exposição”, pontuou.

Foto: David Medeiros
Sobre situações específicas, Ivan detalhou o acompanhamento de uma paciente acamada. “Olha só, nós já adotamos providência desde dezembro, quando ela esteve na escola, na baixada, o município de Rio Branco já forneceu a cadeira de banho, é uma paciente que tem cuidados paliativos, e nós vamos fazer um encaminhamento para a Sesacre para fazer esse acompanhamento. Dizer que ela já é acompanhada por parte da Secretaria Municipal de Assistência Social de Direitos Humanos do município de Rio Branco e a gente vai acompanhar o caso e vai solicitar esse colchão. É uma paciente, como volta a frisar, é uma demanda complexa, inclusive ela chegou aqui de ambulância ontem, está em cuidados paliativos, passou pela precisão médica, faz uso de morfina, é uma situação complexa, mas nós vamos aqui fazer o possível para que a gente possa fazer os encaminhamentos e dar os cuidados necessários”, explicou.


