Durante a 4ª noite do Rio Branco Folia, Tradição e Alegria, quem roubou a cena na discussão sobre a disputa dos blocos carnavalescos foi o comunicador e agitador cultural Wellington Fraga. Com 28 anos de atuação no meio cultural, ele destacou a trajetória construída a partir das bandas e fanfarras até se tornar uma das vozes mais reconhecidas das festas populares em Rio Branco.
“Eu estou no meio cultural há 28 anos. Eu sou da época das bandas e fanfarras, e através das bandas e fanfarras eu conheci os outros segmentos”, afirmou.
Segundo Wellington, a caminhada foi marcada por estudos e aperfeiçoamento constantes. “A gente foi estudando, se aprimorando, se aperfeiçoando, até chegar até aqui comentando o Carnaval de Rio Branco. Sou muito feliz, muito lisonjeado, mais uma vez, pelo convite da gente fazer esse trabalho lindo aqui para a população”, pontuou.
Conhecido por sua energia em palco, ele ressaltou que animar é parte essencial do seu ofício. Além do Carnaval, Wellington também se destaca nas quadrilhas juninas, onde atua como locutor e animador. A atuação lhe rendeu reconhecimento como uma das principais vozes da cultura popular local.
Durante a entrevista ao a24horas, ele chamou atenção para o envolvimento da comunidade do Bairro 15, considerado por muitos o berço do samba em Rio Branco. “A comunidade do Bairro 15 tem esse fervor do samba. Muitos dizem que foi lá que começou, no Barracão do 15”, relembrou.
Wellington destacou ainda o caráter intergeracional da festa. “A gente vê gente ali de 60 anos, vê gente de 5. Então a cultura vai se perpetuando e vai passando de geração para geração”, disse, ao comentar a presença de crianças, idosos e integrantes da velha guarda na avenida.

Foto: Jardy Lopes/ac24horas
Entre as figuras históricas citadas, ele mencionou Sabiá, integrante com mais de 60 anos dedicados ao carnaval acreano. Segundo o locutor, a criação da Ala da Velha Guarda nos blocos é uma forma de reconhecer e acolher aqueles que ajudaram a construir a tradição do samba no estado.
Ao comparar o carnaval de Rio Branco com os grandes desfiles do Rio de Janeiro e São Paulo, Wellington reconheceu as diferenças estruturais e financeiras, mas ressaltou a força comunitária da festa local. “Aqui nós ainda estamos naquele processo de incentivo. Lá é outro mundo, com cifras milionárias. Mas é difícil fazer o que essa comunidade faz”, pontuou.
Ele também explicou que o trabalho para o Carnaval começa assim que a edição anterior termina. “Quando se acaba um carnaval, já tem outro sendo pensado. Primeiro se discute o tema, depois a produção. O tema é o primórdio, é o início de todo o trabalho”, explicou.
Segundo Wellington, a reta final exige dedicação intensa. “Em janeiro se intensifica. Eles largam família, largam compromissos, para poder construir o carnaval e chegar aqui apresentando o melhor possível”, finalizou.


