Após a análise do recurso administrativo apresentado pelo bloco Unidos do Fuxico contra o resultado do concurso de blocos carnavalescos, a agremiação 6 é D+ realizou, nesta sexta-feira (20), uma coletiva de imprensa para se posicionar sobre a decisão da Comissão Organizadora do Carnaval 2026 – Rio Branco Folia, Tradição e Alegria. O encontro ocorreu depois da reunião realizada na quinta-feira (19), no Centro Cultural Thaumaturgo Filho.
Segundo integrantes do bloco, dois recursos protocolados anteriormente não tiveram resposta formal da organização, o que gerou insatisfação entre os brincantes e a comunidade.
O membro da agremiação, Cláudio Jansen, afirmou que o grupo sentiu necessidade de prestar esclarecimentos públicos.“Diante dos fatos que aconteceram, sentimos a necessidade de explicar para a nossa comunidade e para a população em geral. Fizemos dois recursos e não obtivemos resposta oficial aos ofícios. Houve reuniões, mas ficaram apenas nas palavras. Queríamos o mesmo tratamento dado ao recurso da coirmã Unidos do Fuxico, que logo após a reunião recebeu um parecer formal”, declarou.
Jansen também rebateu informações divulgadas nas redes sociais de que o bloco teria deixado um carro alegórico no meio da avenida durante o desfile.

“O carnaval tem começo, meio e fim. Após o encerramento do tempo, o cronometrista da fundação pediu para pausar o cronômetro e conferiu os minutos com a nossa equipe. Ali se encerrou o desfile e a avenida foi tomada pelo público. O carro ficou fora da área demarcada, depois do fim. Não houve prejuízo para os demais blocos”, afirmou.
Defesa aponta insegurança jurídica
O advogado do bloco, Robson Aguiar, criticou a condução do processo administrativo e afirmou que o edital apresenta falhas e ausência de garantias ao contraditório e à ampla defesa. “Infelizmente o procedimento do Carnaval de 2026 não ocorreu com a devida segurança jurídica nem com obediência à legalidade”, disse.
Ele relembrou que, no ano anterior, o bloco Unidos do Fuxico foi desclassificado por descumprimento de regra do edital e, na avaliação da defesa, não poderia ter participado da edição deste ano.
“Apresentamos impugnação para cumprir o edital, mas a Fundação Garibaldi Brasil ignorou a própria regra e permitiu a participação. Agora, receberam um recurso contra o 6 é D+ e não houve intimação para apresentar defesa. Isso fere o princípio básico do contraditório”, afirmou.
De acordo com o advogado, a comissão julgadora já havia aplicado a penalidade prevista em relação ao carro alegórico, com a perda de meio ponto, o que encerraria a questão.
“O bloco entrou e terminou dentro do tempo. Não houve atraso nem prejuízo para os demais. A própria comissão julgadora aplicou a punição de meio ponto. Não cabe uma nova penalização posterior”, argumentou.
Novo recurso será apresentado
A defesa informou que uma nova manifestação será protocolada na próxima segunda-feira, pedindo a reavaliação da decisão. “Queremos que a decisão seja reconsiderada. O vencedor de fato e de direito é o bloco 6 é D+, tanto pelo desempenho no desfile quanto pelas questões formais. Não há ilegalidade na atuação do bloco”, declarou Aguiar.
O advogado também adiantou que pretende apresentar novos apontamentos sobre supostas falhas no procedimento adotado pela comissão organizadora.
“Quando um recurso é apresentado, a outra parte precisa ser intimada para se defender. Não se pode decidir sem ouvir o interessado e depois dizer para recorrer à mesma comissão. Isso gera insegurança jurídica”, concluiu.
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