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Aliado de Eduardo adota sobrenome Bolsonaro e sugere candidatura contra Tarcísio

Eduardo Bolsonaro e o deputado estadual Gil Diniz. Foto: Alesp

Amigo de Eduardo Bolsonaro(PL) e considerado seu braço direito em São Paulo, o deputado estadual Gil Diniz (PL) decidiu adotar o sobrenome político Jair Bolsonaro e criticou políticos de direita que não endossaram publicamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Em discurso no plenário da Assembleia Legislativa do estado, nesta terça-feira, o parlamentar ainda alfinetou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), da semana passada, por se mostrar favorável à pulverização de candidaturas da direita no primeiro turno das eleições presidenciais.


Após visitar Jair Bolsonaro na prisão, na quinta-feira passada, Tarcísio argumentou que mais de uma candidatura da direta “não é um problema” porque, num eventual segundo turno, o espectro reuniria forças contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Gil Diniz ironizou a declaração com a sugestão de que o PL então lançasse um concorrente ao Executivo paulista.


— Essa mesma lógica vale para o governo de São Paulo? Porque se vale para o governo de São Paulo, vale a pena o Partido Liberal ter um candidato também, porque ajuda a chapa de [deputado] estadual, ajuda a chapa de [deputado] federal. O Partido Liberal é o maior partido do estado de São Paulo e o maior partido do Brasil — disse Gil.


Esta semana, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender a união da direita em torno de um projeto nacional, seja no primeiro ou no segundo turno das eleições. Em entrevista ao blogueiro Paulo Figueiredo Filho, o senador ressaltou o alinhamento do clã com Tarcísio, depois um mal-estar recente gerado a partir de declarações sobre os planos eleitores do governador.


Flávio rejeitou alegações de que a pulverização de candidaturas direitistas possa enfraquecer as chances da oposição em 2026. Gil Diniz é um dos principais defensores de uma aglutinação da direita em torno do senador. No discurso na Alesp, o deputado criticou políticos de direita que se elegeram sob a bandeira bolsonarista, mas não se engajaram contra a prisão do ex-presidente ou a pré-candidatura do senador à Presidência. Ele acrescentou ter adotado o sobrenome do clã.


— Coloco [o sobrenome Bolsonaro] no meu nome parlamentar não como maneira politiqueira de fazer o uso indevido do nome do presidente Bolsonaro, mas marcando posição: aqui, sim, nós defendemos o presidente Bolsonaro e sua família. Não importa se com o nome ou não, isso não diz se somos bolsonaristas — disse Gil.


Indefinição para Senado em SP

A cassação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e sua permanência nos Estados Unidos abriram um vácuo no tabuleiro eleitoral para o Senado de São Paulo e motivaram uma disputa interna no PL. O embate hoje é visto como um teste de força entre diferentes núcleos do bolsonarismo — inclusive dentro da própria família.


Sem Eduardo, que liderava a disputa eleitoral em algumas pesquisas, ao menos seis políticos passaram a se apresentar como alternativa para ocupar seu espaço.


Enquanto isso, Tarcísio trabalha para emplacar sua própria chapa no estado, com o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) como um dos candidatos ao Senado, em um cenário ainda indefinido de composição com outro nome do PL — este ano serão eleitos para a Casa dois representantes por estado.


Cassado por faltas pela Câmara, Eduardo não está inelegível, mas um retorno ao Brasil este ano é improvável, segundo aliados. Isso porque ele é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar coagir o Judiciário ao articular sanções a autoridades brasileiras — com chance alta de condenação.


Nesse contexto, as divisões na família começaram. Eduardo tenta emplacar seu amigo, o deputado estadual Gil Diniz. No início de dezembro, Diniz esteve nos Estados Unidos e teria ouvido de Eduardo um pedido direto: que ele concorresse ao Senado para manter influência do seu grupo no estado.


Aliados dos dois descrevem uma relação de confiança construída ao longo dos últimos 12 anos, com interlocução frequente.


Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também tenta ocupar espaço na costura, reforçando o capital político de aliadas do PL Mulher. O nome da deputada federal Rosana Valle foi incluído em pesquisas internas a pedido de Michelle, mas aliados de Rosana dizem que ela resiste e trabalha para a reeleição, considerada menos arriscada.


Em um primeiro momento, o PL de São Paulo chegou a quase fechar questão de que o candidato seria Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente. No entanto, Renato tem dito que prefere disputar a Câmara e não arriscar uma eleição majoritária, com alta taxa de exposição e risco de derrota.


O deputado Marco Feliciano é apontado como o mais insistente: quer a vaga e tenta se manter no jogo, mas sofre resistências internas por ser considerado pouco viável e “barulhento demais” para uma disputa majoritária em São Paulo.


O vice-prefeito paulistano coronel Mello Araújo, por sua vez, aparece como alternativa competitiva e com apelo ao eleitorado de segurança pública, mas reúne forte resistência política na base do prefeito Ricardo Nunes (MDB).


A indefinição impacta ainda o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, que evita se envolver diretamente na disputa, mas depende de São Paulo para catapultá-lo na arena nacional.


Aliados do senador dizem que ele precisa de um palanque robusto no estado e defendem que a família deve abraçar a chapa desenhada por Tarcísio, ainda que sem nomes do PL, como a dobradinha Derrite e Ricardo Salles (Novo).


A irritação da família Bolsonaro com Salles, entretanto, é antiga: ele deixou o PL após se frustrar com a negativa do partido a seu projeto de disputar a Prefeitura de São Paulo em 2024, episódio que, na leitura bolsonarista, evidenciou falta de disciplina.


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