A Secretaria de Estado de Agricultura tem entre R$ 8 e R$ 10 milhões para investir na cadeia produtiva do cacau em 2026. E já decidiu: no conjunto de ações previstas para este ano, é uma das prioridades da gestão.
Já está com convênio de R$ 2 milhões assinado com o Sebrae desde o ano passado, curso agendado em Belém já no mês de fevereiro (inclusive com participação de lideranças indígenas) e uma ideia ainda vaga da “Rota do Cacau”, como parte do “Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Territorial Socioambiental da Cadeia Produtiva do Cacau”.
“Não tem jeito: primeiro nós temos que capacitar os técnicos para depois capacitar o produtor”, explica o secretário de Estado de Agricultura, Luiz Tchê. “Vamos levar doze técnicos, mais um indígena e mais um representante do Sebrae para Belém para aprender sobre o cacau”.
No material de divulgação da Seagri, os pontos que são apresentados como destaques um conjunto de bons indicativos, intenções, encontros, seminários. Mas dados concretos, erros e avanços não são ditos. E não são ditos porque não há. “Vamos partir do zero”, reconhece o secretário. “E vamos aprender também com o erros dos outros”, diz, citando o exemplo do café e os aprendizados que observaram a partir de Rondônia.
Luiz Tchê é entusiasta da cultura naquilo que ela ofereceu de mais artesanal e genuíno. Na Aldeia Extrema, com a comunidade Momoadate, em Assis Brasil, região da tríplice fronteira, a Seagri realizou uma simulação integral, desde a coleta, fermentação e secagem. O cacau chegou a ser vendido a R$ 72 o quilo.
A Seagri estima que hoje seriam necessárias 3 milhões de mudas para dar uma escala mínima ao processo produtivo. Mas essa é uma estimativa muito frágil porque ainda não há estudos conclusivos sobre a relação entre as áreas onde pode haver o cultivo, a infraestrutura para escoamento e rede de comercialização.
Atualmente, um produtor do Acre utiliza a estrutura do Reca para fazer o manejo da amêndoa e garantir venda na concorrida rede de cerealistas de Rondônia, terceiro maior produtor do país, com 12 mil hectares de cacau cultivado. Rondônia fica atrás do Pará e Bahia que revezam liderança. Os dois estados-líderes utilizam sistemas agroflorestais para produzir cacau.
Ainda não há data definida para a entrega do estudo em execução do Sebrae. É um documento inicial. Deve servir de referência para alguns gargalos da cadeia produtiva.
A experiência dos mamoadate, em Assis Brasil também pode servir de norte à Seagri: em uma commodity com oscilações agressivas como o cacau, a aposta da Seagri pode estar no manejo de um cacau integrando uma cadeia produtiva singular, única, quase exclusiva. Explorar uma imagem que associe o Turismo nas aldeias com a confecção de mini-indústrias chocolateiras nas próprias comunidades indígenas. É um diferencial que precisa ser avaliado. Porque a falta de escalas de produção, a falta de infraestrutura de escoamento e de manejo e a ausência de uma rede de cerealistas para garantir o comércio tornam a empreitada ainda mais arriscada.
Fonte: ac24Agro


