Saída de Lewandowski abre caminho para a criação de Ministério da Segurança

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira (8), sua carta de demissão do comando da pasta. A expectativa é que ele deixe o cargo formalmente ainda na sexta-feira (9).


A saída de Lewandowski não abre somente a vaga para um futuro ministro de Justiça, mas também a possibilidade de repartir o ministério e criar uma nova pasta destinada somente a segurança pública.


A criação de um novo ministério já vem sendo estudada pelo governo para contornar o tema considerado uma fraqueza das gestões petistas. Nos bastidores, é dito que a decisão já foi tomada ainda em 2025, mas não houve anuncio oficial.


Lewandowski já havia se posicionado contra a proposta, destacando que a criação de uma nova pasta não só enfraqueceria o Ministério da Justiça, mas também fragmentaria as ações de combate ao crime organizado, ao reestruturar, por exemplo, a ordem de subordinação da Polícia Federal às pastas.


Há duas semanas, no entanto, o ministro mudou o discurso e apoiou a criação. Ao defender a volta da pasta, Lewandowski afirmou que a mudança só fará sentido se vier acompanhada de uma ampliação do papel da União no combate à criminalidade e de um reforço significativo de recursos federais.


Segundo ele, sem “verbas substanciais”, o novo ministério tende a ser ineficaz. “Eu concordo com o presidente que essa divisão faria sentido, primeiro, se houvesse uma ampliação do papel da União no combate à criminalidade. Em segundo lugar, se viessem verbas substanciais, porque hoje nós temos no nosso Fundo Nacional de Segurança Pública a verba irrisória de R$ 2 bilhões”, destacou.


Nesse contexto, aliados avaliam que a saída de Lewandowski está relacionada à perspectiva de perda de poder caso a divisão da pasta se concretize. Uma ala do PT defende que o novo ministério seja criado ainda neste ano, com foco direto nas eleições de 2026.


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