O aumento expressivo do nível do Rio Acre em diferentes municípios do estado acendeu um novo sinal de alerta para as autoridades de monitoramento hidrológico. Em entrevista ao ac24horas nesta quarta-feira (28), o secretário municipal de Defesa Civil de Rio Branco, Cláudio Falcão, destacou que a elevação das águas foi significativa nas últimas 24 horas ao longo de praticamente toda a bacia do rio, o que pode gerar a reentrada do manancial na cota de alerta até a sexta-feira (30), na capital.
Segundo Falcão, em Brasiléia, nas últimas 24 horas, o rio Acre teve uma elevação de quase 4 metros, enquanto em Assis Brasil o aumento foi ainda maior, chegando a 4,5 metros no mesmo período. Já em Xapuri, no mesmo período, o rio subiu 2,10 metros, e em Capixaba, o acréscimo registrado foi de 60 centímetros. Além do rio Acre, que segue o seu curso nos municípios mencionados, a Defesa Civil também observa um crescimento considerado preocupante no nível do riozinho do Rola, principal afluente para o rio Acre em Rio Branco.

Foto: David Medeiros/ac24horas
O secretário ressaltou que o cenário exige atenção constante devido à complexidade da bacia hidrográfica. “Ao longo da Bacia do Rio Acre, nós temos mais de 100 afluentes, igarapés menores, que às vezes nem o nome a gente conhece, mas são vários cursos d’água que acabam desaguando nos rios maiores”, explicou. Esse conjunto de fatores, segundo ele, tende a provocar impactos acumulados ao longo dos próximos dias.
Em Rio Branco, o nível do rio Acre já voltou a apresentar tendência de elevação, embora ainda não esteja refletindo diretamente o volume registrado nos municípios do Alto Acre. De acordo com Cláudio Falcão, a água que subiu em Brasiléia deve chegar à capital apenas na sexta-feira, o que significa que o comportamento do rio nos próximos dias será decisivo. “Se o rio Acre continuar aumentando aqui sem ter uma vazante antes de sexta-feira, a gente vai bater a cota de alerta novamente”, alertou.
Para a Defesa Civil, o momento é de vigilância permanente. Falcão classificou o cenário como crítico e afirmou que não há expectativa de melhora imediata. A preocupação aumenta com a proximidade dos meses historicamente mais chuvosos no estado. “Nós vamos entrar em fevereiro e março, que são os piores meses que nós temos”, afirmou, ao reforçar que o período exige planejamento e prontidão das equipes.