A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que surgiram referências ao nome de Fábio Luís Lula da Silva em diferentes frentes da investigação que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
As menções, segundo os investigadores, aparecem em materiais reunidos ao longo da apuração, mas até o momento não há indícios de participação direta do filho do presidente nos crimes investigados. As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a PF, as citações a Fábio Luís surgem em três conjuntos distintos de dados, incluindo depoimentos, diálogos extraídos de celulares e registros de deslocamentos. Em todos os casos analisados pelo jornal, os investigadores destacam que se trata de falas de terceiros ou de vínculos indiretos, que ainda precisam ser checados de forma rigorosa antes de qualquer conclusão.
A principal linha de apuração envolve a suspeita de que Fábio Luís poderia ter sido mencionado como possível “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como líder do esquema. A hipótese analisada pela PF é a de que essa eventual ligação teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga pessoal de Lulinha e que manteve relação comercial com Camilo.
Roberta foi alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro. Segundo a investigação, ela firmou um contrato de consultoria com o Careca do INSS para prospectar negócios junto ao governo federal e recebeu cerca de R$ 1,5 milhão.
A defesa da empresária afirma que as tratativas se limitaram a projetos iniciais no setor de cannabis medicinal e que nenhum contrato público chegou a ser celebrado.
Na representação encaminhada ao ministro André Mendonça, do STF, a PF ressalta que, apesar das menções, não há até agora elementos que indiquem envolvimento direto de Fábio Luís nos descontos associativos fraudulentos investigados.
Os policiais destacam ainda que, no meio político e empresarial, é comum que pessoas aleguem proximidade com figuras conhecidas para tentar obter vantagens, o que exige cautela redobrada na análise dessas declarações.
Um dos elementos analisados pela PF, segundo a apuração da Folha, é um depoimento do empresário Edson Claro, ex-sócio do Careca do INSS em um empreendimento ligado à cannabis medicinal. Ele relatou ter ouvido de Antônio Camilo que Fábio Luís seria sócio do projeto e que Roberta atuaria no lobby junto ao Ministério da Saúde. O depoimento também menciona supostos repasses financeiros, inclusive pagamentos mensais, alegações que não foram comprovadas até o momento.
Outro ponto levantado pela investigação envolve viagens feitas por Fábio Luís e Roberta Luchsinger com passagens emitidas sob o mesmo localizador, o que indica compra conjunta. Entre os deslocamentos identificados estão viagens frequentes entre São Paulo e Brasília ao longo de 2025, período em que Roberta mantinha contatos comerciais com o Careca do INSS. Também houve um voo conjunto para Lisboa, em 2024, destino que chamou a atenção dos investigadores por coincidir com tentativas do empresário de expandir negócios para Portugal.
O terceiro conjunto de referências vem de conversas extraídas de aparelhos do Careca do INSS e de Roberta. Em mensagens analisadas pela PF, aparecem comentários sobre pagamentos associados ao “filho do rapaz”, além de demonstrações de preocupação com a possibilidade de o nome de Fábio Luís ser ligado publicamente ao caso.
Em um dos diálogos, Roberta sugere cautela diante de questionamentos da imprensa, e ambos combinam não se manifestar.
A defesa de Fábio Luís nega qualquer vínculo com o INSS ou com Antônio Camilo e classifica as referências como ilações. Advogados afirmam que ele nunca foi sócio do empresário e que sua relação com Roberta é pessoal, não comercial.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou, em ocasiões anteriores, que qualquer familiar seu deve ser investigado se houver indícios concretos.
Antônio Camilo Antunes está preso desde setembro do ano passado, acusado de comandar um esquema de fraudes em benefícios previdenciários com pagamento de propina a agentes públicos. Na fase mais recente da operação, seu filho também foi detido.
A PF afirma que continuará analisando o material apreendido para verificar a consistência das menções envolvendo terceiros e reforça que a apuração seguirá “livre de interferências externas ou narrativas políticas”.


