O Ministério Público Federal (MPF) recomendou oficialmente à Universidade Federal do Acre (Ufac) e ao Cebraspe a alteração do protocolo de abertura dos portões no vestibular de Medicina, após os transtornos registrados na primeira fase do certame, realizada no último domingo (11). A recomendação foi expedida na quarta-feira (14) e tem como foco evitar novos problemas de mobilidade e garantir o acesso dos candidatos às provas.
De acordo com o MPF, a abertura dos portões apenas às 11h30 provocou intenso congestionamento na BR-364, principal via de acesso ao campus da Ufac, em Rio Branco. O cenário comprometeu a circulação de veículos e dificultou a chegada de milhares de candidatos ao local de prova. Para a segunda etapa do vestibular, marcada para o próximo domingo (18), o órgão orienta que os portões sejam abertos às 11h, duas horas antes do início das provas, previsto para as 13h.
A recomendação consta na Recomendação nº 3/2026, assinada pelo procurador da República Lucas Costa Almeida Dias. O documento aponta “severas dificuldades de acesso” no primeiro dia de exames, com relatos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e registros da imprensa local confirmando os impactos negativos à mobilidade urbana. Segundo o MPF, o fechamento dos portões até o horário inicialmente previsto contribuiu para o agravamento da situação.
Ainda conforme o órgão, a falta de planejamento levou candidatos a abandonarem seus veículos e seguirem a pé por longos trechos da rodovia, sob forte calor, na tentativa de não perder a prova. O vestibular de Medicina da Ufac reúne cerca de 5.400 inscritos, a maioria alocada no campus da capital, o que amplia a pressão sobre o tráfego da região em dias de aplicação das provas.
Na avaliação do MPF, a abertura antecipada dos portões é uma medida necessária para garantir a segurança viária, a fluidez do trânsito e o direito social à educação. Além da segunda fase do vestibular, a recomendação também orienta que o novo protocolo seja adotado em futuros processos seletivos que envolvam grande fluxo de pessoas.
A Ufac e o Cebraspe têm prazo de 24 horas para informar ao Ministério Público Federal se irão acatar a recomendação e quais providências serão adotadas. O MPF alerta que o não cumprimento pode resultar na adoção de medidas judiciais cabíveis contra as instituições responsáveis pela organização do certame.