Michelle critica à ida de Jair Bolsonaro à Papudinha e pressiona por prisão domiciliar

Michelle Bolsonaro deixa o hospital onde aguardava o marido, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que solicitou autorização para ser levado a um hospital para exames médicos após sofrer uma queda na sede da Polícia Federal. O pedido foi negado porque um médico da Polícia Federal considerou que, após o atendimento inicial, não havia necessidade de internação, segundo comunicado divulgado em Brasília, Brasil, em 6 de janeiro de 2026. REUTERS/Diego Herculano

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, no Distrito Federal, provocou uma reação pública de sua mulher, Michelle Bolsonaro (PL), que elevou o tom contra a decisão e voltou a defender a prisão domiciliar do marido. Em publicação em redes sociais nesta quinta-feira, a ex-primeira-dama afirmou que Bolsonaro “não cometeu crime algum”, negou a ocorrência de tentativa de golpe e disse que ele “nunca deveria ter sido condenado”.


“Meu marido não cometeu crime algum. Não houve nenhum golpe. Nunca deveria ter sido condenado. Está tudo errado desde o início!”, escreveu Michelle em um texto sobreposto a vídeo publicado em seu perfil, em referência ao conjunto de ações e investigações que atingem o ex-presidente. Ela também buscou enquadrar o episódio como uma questão familiar e pessoal, ao afirmar que vive “a dor” do marido e da filha, e que tenta “resistir” para apoiá-lo.


A ex-primeira-dama reforçou ainda a tese defendida por aliados bolsonaristas de que a transferência seria um passo intermediário para a concessão do benefício de prisão domiciliar. “O lugar do meu marido é em casa. É lá que ele deveria estar; sendo cuidado por nós, pela família… E não onde ele está agora”, completou.


A manifestação ocorre em meio à mobilização de parlamentares e lideranças bolsonaristas por medidas que aliviem as condições de custódia do ex-presidente, que vinha sendo mantido sob supervisão em instalações da Polícia Federal. Nos bastidores, aliados têm atribuído a Michelle e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a pressão por uma mudança de regime, com a avaliação de que a transferência para a Papudinha já representaria uma melhora nas condições do ex-presidente, ainda que aquém do objetivo final de levá-lo para casa.


A publicação de Michelle foi acompanhada por mensagem religiosa na legenda, citando o versículo “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus…”, em sinalização ao público evangélico — base que a ex-primeira-dama busca manter mobilizada desde o avanço das decisões judiciais contra Bolsonaro.


A reação pública se soma a um discurso crescente do núcleo mais próximo do ex-presidente que tenta associar o episódio a uma suposta perseguição política e judicial. A movimentação também tem repercussão direta no tabuleiro da direita para 2026, uma vez que Michelle é considerada peça central na recomposição do bolsonarismo e no esforço para manter a influência do grupo mesmo diante do agravamento do quadro jurídico de Bolsonaro.


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