O presidente Lula (PT) deu uma cutucada hoje no Conselho de Paz, criado ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e para o qual o Brasil foi convidado.
O que aconteceu
” O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU [Organização das Nações Unidas] em que ele, sozinho, é o dono da ONU “, criticou Lula, em discurso hoje. Os Estados Unidos lançaram a inciativa ontem, em evento esvaziado, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, sem a participação do Brasil.
O principal ponto da crítica do presidente é que a proposta de Trump deixa o debate global ainda mais restrito. Lula diz concordar com a reforma da organização e tem pedido constantemente para que se aumente o número de membros do Conselho de Segurança —atualmente cinco com poder de veto. A proposta norte-americana diminui este poder para apenas um país, os Estados Unidos.
“A carta da ONU está sendo rasgada”, disse o presidente. “E, ao invés de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003, a reforma da ONU, com a entrada de novos países [para o conselho], com a entrada de México, do Brasil, de país africano, o que está acontecendo?” Ele participava de um evento comemorativo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na Bahia.
Até então, o governo brasileiro não havia respondido o convite. Interlocutores da diplomacia brasileira dizem que o “martelo ainda não foi batido”, mas indicam que Lula e o governo brasileiro têm mostrado pouco entusiasmo em participar da iniciativa, em especial por causa da posição de comando de Trump.
Nesta semana, o presidente fez diversos telefonemas com lideranças internacionais para tratar do assunto. “[Estou] tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão para que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”, afirmou o presidente.
O intuito do conselho é deixar Gaza “desmilitarizada, propriamente governada e lindamente reconstruída”, disse Trump, no lançamento. Segundo ele, 59 países estariam comprometidos em participar do comitê. O número é maior do que o divulgado pelo governo dos EUA ontem, que era de 35.
A Palestina não foi convidada, mas Israel foi. Os Estados Unidos — diferentemente do Brasil e da ONU — não reconhecem a Palestina como Estado.
Entre os presentes para a assinatura do documento estava Javier Milei, presidente da Argentina. Um dos países que sinalizaram que não participariam do conselho em um primeiro momento foi o Reino Unido, que demonstrou preocupação com a presença de Vladimir Putin no grupo.
Vladimir Putin, da Rússia, e Benjamin Netanyahu, de Israel, estão entre os líderes que aceitaram participar do conselho. Também concordaram com a entrada no órgão o Catar e o Egito, integrantes importantes no acordo de paz em Gaza. Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã também aceitaram.
