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Lula diz que, com Conselho de Paz, Trump ‘quer ser, sozinho, dono da ONU’

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 26/09/2025 REUTERS/Adriano Machado

O presidente Lula (PT) deu uma cutucada hoje no Conselho de Paz, criado ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e para o qual o Brasil foi convidado.


O que aconteceu


” O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU [Organização das Nações Unidas] em que ele, sozinho, é o dono da ONU “, criticou Lula, em discurso hoje. Os Estados Unidos lançaram a inciativa ontem, em evento esvaziado, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, sem a participação do Brasil.


O principal ponto da crítica do presidente é que a proposta de Trump deixa o debate global ainda mais restrito. Lula diz concordar com a reforma da organização e tem pedido constantemente para que se aumente o número de membros do Conselho de Segurança —atualmente cinco com poder de veto. A proposta norte-americana diminui este poder para apenas um país, os Estados Unidos.


Lula diz que Conselho de Paz, criado por Trump, presidente dos EUA 'quer ser, sozinho, dono da ONU'


“A carta da ONU está sendo rasgada”, disse o presidente. “E, ao invés de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003, a reforma da ONU, com a entrada de novos países [para o conselho], com a entrada de México, do Brasil, de país africano, o que está acontecendo?” Ele participava de um evento comemorativo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na Bahia.


Até então, o governo brasileiro não havia respondido o convite. Interlocutores da diplomacia brasileira dizem que o “martelo ainda não foi batido”, mas indicam que Lula e o governo brasileiro têm mostrado pouco entusiasmo em participar da iniciativa, em especial por causa da posição de comando de Trump.


Nesta semana, o presidente fez diversos telefonemas com lideranças internacionais para tratar do assunto. “[Estou] tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão para que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”, afirmou o presidente.


O intuito do conselho é deixar Gaza “desmilitarizada, propriamente governada e lindamente reconstruída”, disse Trump, no lançamento. Segundo ele, 59 países estariam comprometidos em participar do comitê. O número é maior do que o divulgado pelo governo dos EUA ontem, que era de 35.


A Palestina não foi convidada, mas Israel foi. Os Estados Unidos — diferentemente do Brasil e da ONU — não reconhecem a Palestina como Estado.


Entre os presentes para a assinatura do documento estava Javier Milei, presidente da Argentina. Um dos países que sinalizaram que não participariam do conselho em um primeiro momento foi o Reino Unido, que demonstrou preocupação com a presença de Vladimir Putin no grupo.


Vladimir Putin, da Rússia, e Benjamin Netanyahu, de Israel, estão entre os líderes que aceitaram participar do conselho. Também concordaram com a entrada no órgão o Catar e o Egito, integrantes importantes no acordo de paz em Gaza. Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã também aceitaram.


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