Flávio Bolsonaro aposta em agenda religiosa em Israel para fortalecer pré-candidatura

Flávio e Eduardo Bolsonaro em reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Foto: Reprodução/Rede x

Em um movimento para tentar reunir apoio internacional à pré-candidatura que ainda não ganhou tração interna, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou seus primeiros dias em Israel numa sequência de gestos políticos, diplomáticos e simbólicos que aliados tratam como tentativa de reposicionar sua imagem para 2026.


A viagem, articulada com forte atuação do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), combina pedido de apoio à candidatura, agenda com autoridades estrangeiras e rituais religiosos que dialogam diretamente com a base conservadora.


Flávio desembarcou em Jerusalém no dia 19 e, desde então, o entorno trabalha para apresentar o giro como mais do que uma missão parlamentar. A leitura interna é de que se trata de um ensaio de política externa de um eventual governo Flávio, com foco em segurança, tecnologia e alinhamento com governos da direita internacional.


Paralelamente à agenda política, o senador cumpriu um roteiro de forte carga religiosa. No fim de semana, foi batizado no Rio Jordão, em cerimônia acompanhada pela esposa e por um pastor. Para aliados, o gesto reforça a identidade pública de Flávio e a conexão com o eleitorado cristão.


A programação internacional não se encerra em Israel. Flávio siga para o Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e depois para os Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro. Interlocutores falam em conversas com autoridades e empresários da região, numa tentativa de ampliar o discurso de cooperação econômica e estratégica.


Nos bastidores do PL, o giro é lido como parte de um esforço mais amplo de consolidação interna do nome de Flávio. Ao GLOBO, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que assumiu a coordenação da pré-campanha, afirmou esperar que esta seja “a última vez” que Flávio precise sair do país nas circunstâncias políticas atuais, sinalizando que o partido trabalha para estabilizar o cenário e concentrar o senador no tabuleiro doméstico.


— Ele vai viajar o país. São Paulo, Rio, Minas são as maiores escolas eleitorais. Acho que pode se dar um pontapé inicial por aí, mas isso vai ser submetido a ele. Vamos conversar ainda, não tem nada pronto, não tem nada certo ainda.


Apesar da ofensiva externa, Flávio ainda enfrenta resistência entre partidos do centrão e lideranças regionais que não o veem, neste momento, como nome naturalmente unificador do campo conservador. Ao investir em agendas externas e em imagens ao lado de líderes estrangeiros, a estratégia é agregar estatura e reforçar a ideia de que ele poderia ocupar o Planalto com uma agenda internacional própria.


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