A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) destinou R$ 600 mil para intervenções na chamada “Lápide de Plácido de Castro”, localizada em Rio Branco. A informação consta em ata de registro de preços publicada no Diário Oficial do Estado do Acre (DOE/AC) nesta quinta-feira (15). Apesar do peso histórico, o local não abriga os restos mortais do principal herói da Revolução Acreana, que foram retirados do Acre e levados para Porto Alegre (RS), sua terra natal.
De acordo com a publicação no DOE/AC, o valor integra um pacote de até R$ 6,58 milhões destinados à manutenção de equipamentos culturais em todo o estado. No detalhamento da Regional Baixo Acre, a “Lápide de Plácido de Castro” aparece entre os maiores valores individuais previstos.
Construído em agosto de 2008, durante o governo Binho Marques, o memorial foi concebido como um “museu a céu aberto”, em alusão ao centenário da Revolução Acreana. Implantado no Seringal Benfica, local da emboscada ocorrida em 9 de agosto de 1908, que culminou na morte do coronel José Plácido de Castro, o complexo tinha como proposta se consolidar como um dos principais pontos turísticos da capital acreana. Atualmente, porém, o espaço é marcado pelo abandono.
Localizado em uma área de aproximadamente 12 hectares, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Amapá, entre o rio Acre e o igarapé Distração, o memorial abriga oito esculturas de fibra de vidro que retratam um dos momentos mais dramáticos da Revolução Acreana. Sem manutenção ao longo dos anos, a trilha ecológica de acesso foi tomada pelo matagal, a passarela se deteriorou com a ação do tempo e os quiosques construídos para banheiros e lanchonetes foram saqueados e depredados. Pias e caixas d’água também foram levadas.
O cenário de degradação atinge ainda as esculturas, que apresentam danos visíveis e, em alguns casos, estão amarradas com fios e tacos de madeira para permanecerem em pé. O túmulo simbólico do líder revolucionário também está coberto pelo mato.
Após os questionamentos levantados com a publicação da ata, a Fundação de Cultura Elias Mansour divulgou uma nota de esclarecimento, assinada pelo presidente Minoru Martins Kinpara. No documento, a FEM afirma que o valor de R$ 600 mil “não se refere à simples recuperação de uma lápide, mas sim à estimativa global para a requalificação completa do espaço cultural e do complexo de visitação que envolve o monumento”.
Segundo Kinpara, o local possui “reconhecido valor histórico e simbólico para o povo acreano”, e a previsão orçamentária contempla uma série de intervenções estruturais. Entre elas estão a recuperação da atual recepção para atendimento ao público, a implantação de módulos sanitários — incluindo sanitários adaptados para pessoas com deficiência (PCD) —, a criação de uma unidade de zeladoria com banheiro e copa para um zelador residente, além da reparação do sistema de tratamento de esgoto.
A nota também detalha ações como a perfuração de um poço artesiano, construção de pórtico de acesso, execução de cerca de madeira, supressão técnica de árvores cujas raízes comprometem as edificações existentes e a construção de uma ponte de madeira com cerca de 13 metros de extensão. Para a FEM, essas intervenções são necessárias para garantir o funcionamento mínimo e a preservação do espaço.
O presidente da Fundação ressalta ainda que o valor registrado na ata “constitui mera estimativa máxima, nos termos da legislação de contratações públicas”, e que a contratação somente ocorrerá “conforme a efetiva necessidade da administração, mediante ordem de serviço e dentro do planejamento técnico e financeiro de execução”.
Ao final da nota, Minoru Kinpara afirma que a FEM reforça seu compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e a valorização do patrimônio histórico e cultural do Estado, destacando a importância da preservação da memória de Plácido de Castro, “figura central da Revolução Acreana e da formação do Acre como unidade federativa”.
Veja a nota na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Fundação de Cultura Elias Mansour – FEM
Sobre a Ata de Registro de Preços nº 003/2026
A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) vem, respeitosamente, prestar esclarecimentos acerca do questionamento apresentado pelo portal ac24horas sobre o valor estimado de R$ 600.000,00 constante na Ata de Registro de Preços nº 003/2026, publicado no Diário Oficial do Estado em 15 de janeiro de 2026, no item referente à Lápide de Plácido de Castro, espaço de reconhecido valor histórico e simbólico para o povo acreano .
Inicialmente, é fundamental esclarecer que o valor mencionado não se refere à simples recuperação de uma lápide, mas sim à estimativa global para a requalificação completa do espaço cultural e complexo de visitação que envolve o monumento, incluindo suas estruturas de acolhimento, funcionamento e preservação.
Entre as ações previstas no escopo da estimativa orçamentária, destacam-se:
1. Recuperação da estrutura da atual recepção, com transformação em área de atendimento ao público e implantação de módulos sanitários, inclusive sanitário adaptado para pessoas com deficiência (PCD);
2. Recuperação da estrutura do depósito para implantação de unidade de zeladoria, com banheiro e copa, destinada ao zelador residente no local;
3. Reparação do sistema de tratamento de esgoto (fossa e sumidouro);
4. Execução de poço artesiano completo (perfuração, bomba e instalação elétrica);
5. Construção de pórtico de acesso;
6. Execução de aproximadamente 70 metros de cerca de madeira;
7. Supressão técnica e controlada de 12 árvores frutíferas de pequeno porte cujas raízes vêm comprometendo as edificações existentes;
8. Construção de ponte de madeira, tipo circunstância, com aproximadamente 13 metros de extensão.
Ressaltamos, ainda, que o valor apresentado na Ata de Registro de Preços constitui mera estimativa máxima, nos termos da legislação de contratações públicas. A contratação somente ocorrerá conforme a efetiva necessidade da administração, mediante ordem de serviço e dentro do planejamento técnico e financeiro de execução.
A FEM reforça seu compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e a valorização do patrimônio histórico e cultural do Estado, especialmente no que se refere à preservação da memória de Plácido de Castro, figura central da Revolução Acreana e da formação do Acre como unidade federativa.
Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários.
Minoru Martins Kinpara
Presidente
Fundação de Cultura Elias Mansour – FEM