Estudo contratado pela Prefeitura confirma presença de água subterrânea em Rio Branco, mas aponta baixa capacidade dos aquíferos

Um estudo hidrogeológico e geofísico contratado pela Prefeitura de Rio Branco em 2024 confirma a existência de água subterrânea em diferentes regiões da capital acreana. No entanto, o levantamento técnico alerta que as características do solo e do subsolo do município limitam a capacidade produtiva dos aquíferos, o que dificulta o uso dessa fonte como solução definitiva para o abastecimento público e a redução da dependência do rio Acre. O executivo municipal investiu R$ 698.000,00 em toda a fase de pesquisa, que pretendia embasar o investimento em perfuração de poços profundos.


O relatório foi elaborado pela empresa Geoscan Geologia e Geofísica com bases coletadas entre fevereiro e março de 2024 e obtido com exclusividade pelo ac24horas nesta sexta-feira (16), por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O estudo analisou nove áreas de Rio Branco, utilizando aeromagnetometria com drones e métodos de eletrorresistividade, com o objetivo de identificar pontos favoráveis à perfuração de poços rasos e profundos.


Logo na síntese do trabalho, os técnicos destacam que o principal fator limitante é a geologia local. Segundo o relatório, Rio Branco está situada sobre sedimentos argilosos da Formação Solimões, que apresentam “baixo potencial para exploração de recursos hídricos subterrâneos”. Esses materiais, conforme o estudo, são capazes de reter água, mas dificultam sua circulação, resultando em aquíferos de baixa vazão. “Os sedimentos presentes na área não possuem quantidades significativas de minerais ferromagnéticos e apresentam comportamento geoeletricamente condutivo”, descreve o documento, ao associar esse padrão à predominância de argilas e folhelhos no subsolo da capital.


Apesar das limitações, o estudo confirma de forma consistente a presença de um aquífero livre raso em várias regiões de Rio Branco. De acordo com as sondagens elétricas verticais e as tomografias realizadas, a água subterrânea começa, na maioria dos casos, a menos de 10 metros da superfície, chegando, em alguns pontos, a profundidades ainda menores. “As inversões realizadas nos dados permitiram caracterizar a presença de um aquífero livre muito raso na área de estudo, iniciando na maioria das vezes em profundidades menores que 10 metros”, registra o relatório.


O documento ressalta que esse padrão já havia sido identificado em estudos anteriores sobre o aquífero Rio Branco. “Todos os poços catalogados apresentaram nível estático extremamente raso, em torno de 5 metros”, afirma o relatório, ao citar dados do estudo Modelo de Gestão do Aquífero Rio Branco, elaborado em 2010. Os técnicos, porém, fazem uma ressalva central: a presença de água em pouca profundidade não significa alta capacidade de produção. As camadas saturadas estão associadas a materiais argilosos, que tendem a apresentar baixa transmissividade, liberando pouca água ao longo do tempo.


Além dos aquíferos rasos, o levantamento também indica locais onde poderiam ser perfurados poços profundos, com profundidades estimadas entre 300 e 400 metros, mas ainda assim o estudo adota um tom cauteloso ao tratar dessa possibilidade. “A profundidade final exata será definida no momento da perfuração”, ressalta o documento, ao destacar que não há garantia de que os poços profundos resultarão em boa vazão. Os técnicos reforçam que os métodos geofísicos ajudam a reduzir riscos, mas não eliminam a possibilidade de insucesso, seja por baixa produção de água ou por problemas de qualidade.


Ao final, o relatório entregue ao Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) deixa claro que o trabalho realizado em 2024 tem caráter essencialmente diagnóstico e não representa, por si só, uma solução imediata para o abastecimento da capital. Os técnicos afirmam que os estudos tiveram como objetivo “identificar as regiões mais propícias para a prospecção de água subterrânea”, mas fazem uma série de ponderações sobre os limites dessa exploração.


O documento reforça que as camadas saturadas identificadas no subsolo estão fortemente associadas aos materiais argilosos da Formação Solimões e que esse contexto são “forte sugestão para a ocorrência de material saturado, porém com provável baixa transmissividade”. Na prática, isso significa que a água subterrânea existe, mas tende a apresentar baixa capacidade de produção contínua.


Diante desse cenário, os técnicos indicam que a água subterrânea pode atuar apenas como alternativa complementar ao sistema atual, especialmente em períodos de estiagem severa ou situações emergenciais. O relatório destaca que os dados obtidos “podem auxiliar na tomada de decisão para a perfuração de poços, reduzindo incertezas”, mas não afastam os riscos inerentes ao contexto geológico local.


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