Autoridades dos EUA estão correndo para apresentar opções de negócios e outras formas de estreitar os laços com a Groenlândia, surpreendidas pela nova demanda do presidente Donald Trump para assumir o controle da ilha, segundo pessoas próximas ao assunto.
Trump já quer o território há bastante tempo, alegando motivos de segurança. Mas, depois de uma movimentação intensa no começo do ano passado, incluindo uma visita do vice-presidente à região, os esforços para tirar a ideia do papel foram deixados de lado, segundo essas fontes, que preferiram não se identificar por se tratar de informações não públicas.
No entanto, a série repentina de declarações públicas de Trump sobre tomar a Groenlândia, logo após a operação dos EUA para capturar o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, colocou o tema de volta como prioridade. Na terça-feira, a Casa Branca não descartou uma ação militar, enquanto líderes europeus fizeram um alerta sem precedentes para tentar impedir Washington de tentar tomar território de um aliado da OTAN.
Por enquanto, as autoridades americanas estão focadas em possíveis acordos comerciais para aumentar a presença dos EUA na ilha, segundo pessoas envolvidas no processo. Isso inclui projetos de mineração de minerais raros, energia hidrelétrica e outros negócios. Mas esses projetos ainda não avançaram o suficiente para satisfazer o desejo de Trump por resultados rápidos e impactantes, disseram as fontes.
Ideias mais ambiciosas para aproximar politicamente a Groenlândia dos EUA não avançaram, devido à recepção fria dos governos da Groenlândia e da Dinamarca, segundo as mesmas fontes.
“Há mais de um ano o presidente Trump fala sobre os Estados Unidos adquirirem a Groenlândia – mesmo antes de assumir este mandato”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em resposta a um pedido de comentário. “Todos os principais membros da equipe de segurança nacional do presidente estão informados sobre as atualizações importantes de política externa. Por motivos óbvios, pessoas que não respeitam a segurança operacional e reclamam para a Bloomberg com mentiras descaradas não fazem parte desse grupo.”
O uso da força para tomar a Groenlândia não está sendo levado a sério, segundo as fontes. Senadores republicanos também rejeitaram essa semana a ideia de uma ação militar.
“Não estamos considerando uma operação militar” na Groenlândia, disse o senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, a repórteres na quarta-feira. “Seria ótimo se a Groenlândia decidisse que quer fazer parte dos Estados Unidos, e se a Dinamarca entendesse o motivo. Aí poderíamos fazer um acordo, mas só em condições apropriadas.”
Porém, a Dinamarca, que controla a Groenlândia desde 1953, rejeitou abrir mão da ilha, descartando uma proposta de Trump no primeiro mandato para comprá-la. As ofertas de Copenhague para permitir maior presença militar e econômica dos EUA não convenceram a administração Trump.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na quarta-feira que a compra da ilha ainda está em discussão. “A equipe dele está conversando sobre como seria uma possível compra”, afirmou.
Outra ideia que a Casa Branca tem considerado é um Compacto de Associação Livre, um acordo parecido com os que os EUA têm com países insulares do Pacífico, segundo pessoas próximas ao processo. Isso provavelmente exigiria que a Dinamarca abrisse mão do controle.
Autoridades europeias têm tido dificuldade para acompanhar os sinais muitas vezes contraditórios da administração americana. Após relatos de que o secretário de Estado Marco Rubio teria dito a legisladores, em reunião fechada, que a administração ainda busca comprar a Groenlândia, um importante republicano no Congresso minimizou a declaração.
“Foi uma piada, ele estava tentando ser engraçado”, disse o presidente da Câmara, Mike Johnson, a repórteres. “Será que vai ter algum acordo financeiro nessas negociações? Ninguém sabe. Mas Marco não entrou no Gang of Eight dizendo ‘Vamos comprar a Groenlândia’.”
Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia devem se reunir com Rubio em Washington na próxima semana para discutir o assunto.
“As próximas duas semanas são decisivas”, disse Lars-Christian Brask, vice-presidente do comitê de política externa dinamarquês, em entrevista à Bloomberg TV. “Vamos reunir os três ministros das Relações Exteriores, esclarecer os mal-entendidos, entender o que cada um quer, e aí tenho certeza que estaremos mais informados e haverá menos desinformação.”
Trump tem citado o aumento da atividade naval e outras ações da China e da Rússia perto da Groenlândia para justificar seus apelos pelo controle americano. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas dizem que esses temores são exagerados e ofereceram permitir que os EUA aumentem sua presença militar na ilha.
“A Groenlândia está cheia de navios russos e chineses por toda parte”, disse Trump no domingo. “Precisamos da Groenlândia, do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazer isso, posso garantir.”
Ele deu um prazo de duas a três semanas para resolver a questão.
Trump apresentou a ideia de comprar a Groenlândia em 2019, no primeiro mandato. Desde que voltou à Casa Branca, intensificou a retórica. Em dezembro, uma agência de inteligência dinamarquesa descreveu pela primeira vez os EUA como um possível risco à segurança.
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