A previsão climática para o trimestre de janeiro, fevereiro e março de 2026 aponta mudanças importantes no comportamento dos oceanos que influenciam diretamente o clima no Brasil e na Amazônia. De acordo com o mais recente Relatório de Monitoramento Hidrometeorológico divulgado nesta terça-feira, 27, pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Acre, as temperaturas da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial seguem apresentando declínio das anomalias frias em relação aos meses anteriores, sinalizando um enfraquecimento gradual do padrão de resfriamento observado recentemente.
Segundo a análise, os modelos climáticos de previsão indicam que esse comportamento deve persistir ao longo de todo o trimestre, sem a retomada de um resfriamento mais intenso no Pacífico Equatorial. O cenário reduz a influência de padrões climáticos mais extremos associados a episódios prolongados de La Niña, contribuindo para maior estabilidade nas condições atmosféricas na região tropical.
No Atlântico, o relatório destaca que as áreas ao norte e ao sul apresentam temperaturas entre a normalidade e valores ligeiramente acima da média climatológica, enquanto o Atlântico Sudoeste mantém anomalias positivas em expansão. O aquecimento tende a reforçar a atuação da Alta Subtropical do Atlântico Sul, influenciando a circulação atmosférica sobre o Brasil Central e a Amazônia.
Mesmo com essa configuração oceânica, o prognóstico climático indica que o Estado do Acre deve registrar chuvas acima da média histórica no trimestre, assim como áreas de Roraima, oeste e sul do Amazonas e regiões de Rondônia. A expectativa é de manutenção de volumes elevados de precipitação, compatíveis com o período chuvoso na região Norte, ainda que com variações pontuais associadas à atuação de sistemas como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
Em relação às temperaturas do ar, a previsão aponta valores próximos à média histórica na maior parte da Amazônia Legal, incluindo o Acre, enquanto áreas do Centro-Oeste e do Nordeste do país podem registrar temperaturas acima do normal para o período.
O cenário reforça a necessidade de monitoramento contínuo por parte dos órgãos ambientais e de defesa civil, especialmente diante da combinação entre volumes elevados de chuva e níveis ainda sensíveis dos rios amazônicos, característica comum do início do ano na região.