Os venezuelanos começaram a formar filas em supermercados por todo o país no sábado (3) para estocar suprimentos, ao acordarem com a notícia de que os Estados Unidos haviam lançado ataques aéreos na capital e capturado o líder do país, Nicolás Maduro.
Enquanto muitas lojas em Caracas, a capital, estavam fechadas, algumas que abriram encontraram dezenas de pessoas já esperando do lado de fora.
As pessoas enchiam seus carrinhos com água, papel higiênico e outros produtos.
Poucos carros circulavam pelas ruas, e não havia sinais de transporte público. Áreas próximas a uma base militar que foi atacada estavam sem eletricidade.
Usuários de uma empresa privada de internet, a Vnet, relataram quedas no serviço.
No bairro Plaza Venezuela, em Caracas, Alondra, uma mulher de 32 anos que preferiu não divulgar seu sobrenome por medo, disse que acabara de voltar à capital após as férias de dezembro e não tinha comida em casa.
“Não estou feliz”, disse enquanto fazia compras. “Entendo o quão delicada é a situação, e tenho medo de que as coisas piorem no país.”
A tensão aumentava porque algumas pessoas furavam a fila, que não avançava.
“Já sofremos tanto”, acrescentou. “Estou me sentindo sem esperança, pensando que tudo pode piorar e que não vamos aguentar.”
Vídeos de La Candelaria, no centro de Caracas, mostravam dezenas de pessoas em fila para comprar alimentos.
Em uma loja de um conjunto habitacional público na cidade, cerca de 10 pessoas aguardavam para encher galões de água.

Em La Guaira, região próxima aos locais dos ataques, moradores enviaram vídeos mostrando danos em um prédio residencial. Um jornalista local disse que apoiadores do governo haviam tomado o controle do quarteirão e proibiam o acesso.
Em Valência, cidade a duas horas a oeste de Caracas, supermercados abriram cedo.
A compra em pânico fez com que algumas pessoas levassem dois carros para transportar todos os produtos adquiridos.
“Não sabemos o que está acontecendo — ninguém sabe”, disse Cecilia Martínez, 47 anos. “Mas somos cinco pessoas na minha casa e meus pais têm mais de 80 anos, então não posso ficar esperando até que digam se haverá toque de recolher ou não. Por isso vim aqui e gastei tudo o que tinha.”
José López, 29 anos, em outra loja em Valência, disse que comprou duas dúzias de ovos. “Há muita ansiedade e incerteza”, afirmou.
Nos estados de Zulia e Táchira, na fronteira da Venezuela com a Colômbia, a cerca de 640 km a oeste de Caracas, pessoas que formaram filas em supermercados disseram que o maior medo era ficar sem comida.
“Graças a Deus estamos longe de Caracas, mas temos medo de que os bombardeios cheguem a Maracaibo também”, disse Martha Rangel, mulher de 63 anos que mora na cidade. “Não tenho muito dinheiro, mas vou comprar queijo e farinha para fazer arepas e ter algo em casa.”
A governadora do estado de Sucre, a cerca de 520 km a leste de Caracas, apareceu em uma praça da cidade na manhã de sábado e convocou apoiadores do partido no poder para se reunirem mais tarde.
“Exigimos que o mundo inteiro se manifeste contra a ameaça e o caos que tentaram semear em nossa pátria”, disse a governadora Jhoanna Carrillo.
Pessoas em Sucre formaram filas para abastecer gasolina, embora muitos postos estivessem fechados.
Civis armados que apoiam o governo começaram a se reunir em caravanas em Cumaná, capital de Sucre, e muitas pessoas estavam assustadas.
“Todo mundo sabe o que isso significa”, disse Alejandro Barreto, 26 anos. “A única coisa que importa agora é comprar comida.”
c.2026 The New York Times Company


